Operação fecha casas geriátricas clandestinas no RS

Ação policial interdita dois estabelecimentos clandestinos na região metropolitana de Porto Alegre e prende três suspeitos por maus-tratos a idosos
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizou, na manhã desta semana, a Operação Pietá, que resultou na interdição de duas casas geriátricas clandestinas localizadas nos municípios de Esteio e Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre. A ação, iniciada após investigações que começaram no início de setembro, levou à prisão de três suspeitos acusados de maus-tratos contra idosos. Ao longo das investigações da Operação Pietá, nove idosos foram identificados como vítimas. Duas mulheres, mãe e filha, administravam os estabelecimentos e foram indiciadas por maus-tratos e tortura.
A mãe segue foragida, enquanto a filha teve a prisão preventiva cumprida. Dois homens, familiares das investigadas, foram presos em flagrante e também são investigados por maus-tratos. Em Sapucaia do Sul, cinco idosos foram encontrados em condições precárias de higiene e saúde. No momento da fiscalização, eles estavam sem cuidadores e não haviam recebido alimentação durante a manhã. Três deles estavam sujos de fezes e urina, e as equipes identificaram sinais de desnutrição e desidratação nos pacientes. Os agentes também encontraram medicamentos armazenados sem identificação dos pacientes, sem receitas médicas ou prontuários. Uma idosa estava com a sonda de alimentação deslocada, enquanto outra apresentava lesões e escoriações.
Todos os idosos foram encaminhados para atendimento na rede pública de saúde, recebendo assistência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e sendo direcionados a unidades de saúde da região conforme a gravidade de seus quadros clínicos. Já em Esteio, o imóvel estava vazio quando as equipes chegaram. No local, foram encontrados leitos improvisados e equipamentos hospitalares, o que indica que o espaço havia funcionado como uma instituição de longa permanência para idosos. Os dois estabelecimentos operavam sem alvarás, autorização sanitária ou profissionais habilitados para prestar assistência aos residentes.
A investigação teve início após a Vigilância Sanitária de Esteio comunicar à polícia a existência de um vídeo que mostrava uma idosa sendo arrastada pelo chão e agredida dentro de uma das casas. A neta da vítima também registrou ocorrência e retirou a avó do local após tomar conhecimento das imagens. Segundo a Polícia Civil, a idosa havia permanecido sob os cuidados das responsáveis por cerca de dois anos, e os familiares afirmaram desconhecer as agressões, que teriam ocorrido nos momentos em que não havia visitas. As equipes de assistência social iniciaram a busca pelos familiares dos idosos para avaliar a possibilidade de acolhimento. Nos casos em que isso não for viável, os idosos serão encaminhados a instituições de longa permanência regularizadas. A investigação segue em andamento para esclarecer o período de funcionamento dos estabelecimentos e a participação de cada suspeito. De acordo com a polícia, as administradoras cobravam uma mensalidade média de R$ 2.500 por idoso.