Operação apreende 6 adolescentes por induzirem menina de 13 ao suicídio

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Seis adolescentes foram apreendidos em cinco estados por participação em "panelas" virtuais ligadas à morte de menina de 13 anos
A mãe de uma menina de 13 anos induzida ao suicídio faz alerta às famílias após a segunda fase da Operação Lívia resultar na apreensão de seis adolescentes, nesta terça-feira (15). A investigação apura a morte da jovem, ocorrida em julho de 2026, após uma transmissão ao vivo no Discord. Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, os adolescentes apreendidos faziam parte de grupos virtuais de violência e extremismo, conhecidos como "panelas", e tiveram participação direta no caso. A operação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca-MS), com apoio da investigação cibernética e do CyberLab.
Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão contra alvos com idades entre 14 e 17 anos, localizados nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. A segunda fase da Operação Lívia é resultado da análise dos celulares e demais materiais apreendidos na primeira etapa da investigação. A partir desse conteúdo, os policiais conseguiram identificar outras pessoas que participavam dos grupos nas redes sociais no momento da morte da adolescente. "Continuamos as investigações para saber todas as pessoas que estavam participando dessa panela e que tiveram relação com o homicídio da Lívia", explicou a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, da Depca.
Segundo a polícia, essas comunidades funcionavam como grupos organizados dentro de plataformas digitais, com pessoas responsáveis pela administração, outras encarregadas de atrair novos integrantes e participantes que acompanhavam ou incentivavam os chamados "eventos". A lógica dos grupos era baseada em uma disputa por fama: quanto mais extremo era o conteúdo produzido por uma "panela", maior seria o reconhecimento entre os integrantes. "Eles ficam brigando entre si para ver quem é a panela mais forte, quem consegue trazer mais pessoas para o evento, quem consegue trazer mais vítimas, mais agressividade", afirmou Anne Karine. A delegada explica que a morte de Lívia teria representado, dentro dessa lógica, o ponto máximo de violência buscado pelo grupo investigado. Cerca de 90% dos integrantes identificados até agora são adolescentes, e um adulto também foi identificado durante as investigações.
Segundo a Depca, os responsáveis pelos grupos procuravam possíveis vítimas em redes sociais e plataformas de conversa. A aproximação começava de forma aparentemente amistosa, com o objetivo de conquistar a confiança do adolescente. Em alguns casos, os suspeitos chegavam a se passar por pessoas da mesma idade ou do mesmo sexo da vítima. Após estabelecer uma relação de confiança, começavam a apresentar os grupos e, segundo a polícia, recorriam a ameaças quando a vítima não aceitava participar espontaneamente. Os investigadores descobriram casos em que os suspeitos obtinham informações sobre familiares das vítimas, como nomes, telefones e fotografias, utilizando esses dados para intimidar os adolescentes. "Eles começam a fazer ameaças. Eles têm grupos que conseguem localizar material da família, da vítima, telefone. Então começam a fazer uma ameaça em cima da cabeça do adolescente", explicou a delegada. Essa estratégia fazia com que muitas vítimas tivessem medo de contar aos pais o que estava acontecendo.