OMC alerta sobre maiores distúrbios no comércio mundial

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Relatório anual da OMC avisa que retorno a políticas unilaterais pode reduzir o PIB mundial em 5% e as exportações em 18,6% até 2050
A Organização Mundial do Comércio (OMC) emitiu um alerta grave sobre o estado atual do comércio global, afirmando que o sistema enfrenta os "maiores distúrbios" de sua história. O aviso consta no relatório anual da entidade, divulgado nesta terça-feira (15), e aponta que os desafios às normas comerciais podem ter consequências severas para os níveis de vida em todo o mundo. Segundo o documento, "voltar a uma política comercial unilateral teria custos elevados" e poderia reduzir o PIB mundial em cerca de 5% e as exportações em 18,6% até 2050. O relatório ressalta que "a política de comércio global e a OMC estão passando pelos distúrbios mais sérios e prolongados desde a criação do sistema multilateral de comércio, há 80 anos".
O alerta repete uma advertência feita em março pela diretora-geral da organização, Ngozi Okonjo-Iweala, pouco após o início da guerra contra o Irã liderada pelos Estados Unidos e por Israel. No prefácio do relatório, Ngozi Okonjo-Iweala foi direta ao afirmar: "Nós observamos as regras do comércio serem contestadas em uma escala jamais vista desde que as instituições multilaterais foram criadas para sustentar um comércio global aberto, estável e previsível, após a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial". O cenário descrito pela OMC tem como pano de fundo a ofensiva tarifária promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde que voltou à Casa Branca, em janeiro do ano passado.
Esse movimento ocorre em um contexto de crescentes tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio. A organização também destacou outros fatores que prejudicam a cooperação internacional, como a crescente intervenção dos governos nos mercados. O relatório da OMC reforça a preocupação com a fragmentação do sistema multilateral de comércio e os riscos econômicos globais que podem decorrer da adoção de políticas unilaterais por parte das grandes potências.