Nunes Marques lacra sistemas das urnas no TSE

Nunes Marques, ministro do STF | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Presidente do TSE conduziu sozinho cerimônia de lacração das urnas eletrônicas em meio a tensões no STF envolvendo o Banco Master
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou, nesta sexta-feira (4), a cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas que serão instalados nas urnas eletrônicas para as eleições. Entre os ministros da Corte, apenas o presidente, Nunes Marques, esteve presente na solenidade. O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, também compareceu ao evento, mas não fez nenhuma manifestação durante a cerimônia.
O procedimento encerra o período em que os códigos-fonte dos sistemas eleitorais podem ser inspecionados antes das eleições. As etapas começaram no dia 31 do mês passado e foram concluídas nesta sexta-feira, na sede do TSE, em Brasília. O evento ocorreu em meio às repercussões da divulgação de relatórios da PF que mencionam integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. As informações, tornadas públicas nesta semana, revelaram mensagens que indicam proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Também veio à tona um encontro entre Vorcaro e o ministro André Mendonça, relator na Corte dos inquéritos que investigam supostas fraudes envolvendo o Banco Master, reunião posteriormente confirmada pelo próprio magistrado. Ao longo de todos os eventos realizados nesta semana, os ministros evitaram comentar a tensão no Supremo. Tanto na primeira sessão do STF após a divulgação das mensagens entre Vorcaro e Moraes, quanto em outro evento no TSE, no qual Mendonça foi coanfitrião, não houve nenhum comentário público sobre as notícias. As informações sobre os casos têm saído apenas em posicionamentos oficiais e em ações dentro do Judiciário relacionadas à abertura de novas investigações. Neste ano, os jornalistas presentes na cerimônia não tiveram acesso à sala-cofre do TSE no momento em que as mídias com os sistemas lacrados foram armazenadas.
A restrição difere da dinâmica adotada em 2022, quando o tribunal informou previamente que os profissionais poderiam acompanhar a solenidade. Apesar disso, Nunes Marques destacou a participação das entidades fiscalizadoras e dos partidos políticos, que puderam inspecionar os códigos-fonte dos sistemas desde outubro de 2025. O presidente da Corte afirmou ter solicitado a todos a intensificação do acompanhamento das etapas de preparação do sistema eletrônico de votação. "Solicitei especificamente que todos os partidos ampliassem o acompanhamento e a fiscalização do nosso sistema de votação justamente por acreditar que a segurança e a credibilidade do pleito são responsabilidades comuns a todos os atores do processo eleitoral", declarou. Nunes Marques ressaltou que, a partir da aposição das assinaturas digitais, não é mais possível alterar os sistemas sem que a modificação seja identificada.
A próxima etapa prevê que os mecanismos de segurança verifiquem a autenticidade e a integridade das versões lacradas, garantindo que nenhum programa ou análise técnica utilizada nas eleições fique fora do controle da Justiça Eleitoral, dos órgãos fiscalizadores e da auditoria do processo. O procedimento, previsto na Lei das Eleições e nas normas do TSE, representa uma das últimas etapas de preparação tecnológica para o pleito. Na sequência, são gerados os chamados hashes, códigos que funcionam como uma espécie de impressão digital de cada programa, permitindo verificar posteriormente se o software utilizado corresponde exatamente à versão inspecionada e aprovada antes da eleição.