Nepal e China registram 6.150 desaparecidos após rompimento de geleira

Inundação repentina e mar de lama na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete (China) - Reprodução/X
Novo balanço do Nepal eleva para 6.150 os desaparecidos após rompimento de geleira; mortos já passam de mil nos dois países
Um novo balanço divulgado pela gestão de desastres do Nepal, nesta quarta-feira (16), elevou para 6.150 o número de pessoas desaparecidas após o rompimento de uma geleira no país. O dado representa um acréscimo de quase mil desaparecidos em relação ao levantamento anterior, divulgado na terça-feira (15), que apontava 5.179 pessoas. "Estamos coletando informações sobre as pessoas desaparecidas junto aos escritórios distritais e revisamos os dados após a verificação", declarou à AFP a porta-voz da autoridade de desastres, Shanti Mahat. A tragédia não se limitou ao Nepal.
A China também foi afetada na região de fronteira entre os dois países. As autoridades chinesas informaram que ainda buscam pelo paradeiro de 519 pessoas atingidas pelo desastre. Somando os dois países, 6.669 vítimas ainda não foram localizadas pelas equipes de resgate. Entre os desaparecidos estão várias centenas de estrangeiros, incluindo turistas e peregrinos. Além dos desaparecidos, a tragédia deixou mais de mil mortos. No Nepal, o número de corpos recuperados chegou a 1.403, dos quais apenas 105 foram identificados, segundo a agência de desastres. Na China, 43 pessoas perderam a vida, de acordo com dados da imprensa estatal.
As enchentes repentinas no Nepal e um deslizamento de terra na região do Tibete, na China, causaram devastação generalizada na fronteira entre os dois países há quatro semanas, em 26 de agosto deste ano. Às 8h37 daquele dia, no horário local, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou inicialmente o evento como um terremoto de magnitude 4,4 na fronteira entre o Nepal e a China, ao norte de Katmandu. Quase ao mesmo tempo, uma avalanche de gelo e rochas desceu uma encosta e caiu no rio Lhende Khola, afluente do rio Bhote Koshi, que flui da China para o Nepal, frequentemente através de desfiladeiros profundos.
O USGS esclareceu posteriormente que o tremor não foi um terremoto, mas sim causado pelo deslizamento de terra, que registrou intensidade equivalente a um terremoto de magnitude 5,2. Ou seja: não foi o terremoto que causou o deslizamento, mas sim o contrário. Equipes de cientistas internacionais acreditam que um enorme bloco de gelo de uma geleira se desprendeu e caiu no vale abaixo. A teoria é que um deslizamento de rochas ocorreu ao mesmo tempo em que a geleira se rompeu, criando uma mistura de gelo e rochas que se deslocou rapidamente montanha abaixo. À medida que essa massa descia, arrastava sedimentos encharcados pela temporada de monções, o que contribuiu para formar uma enorme parede de água. Imagens registraram a devastação causada pela força das águas que desceram das montanhas. Uma importante passagem de fronteira terrestre entre a China e o Nepal foi completamente destruída em menos de um minuto, soterando pessoas que tentavam fugir.