STF homologa delação de empresário ligado a repasses para filme sobre Bolsonaro

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STF valida acordo de colaboração premiada com empresário que fez repasses para financiar o filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira a delação premiada firmada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro". A decisão foi confirmada por duas fontes com conhecimento do caso e é considerada sigilosa.
O empresário é apontado como responsável por realizar repasses financeiros a mando de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, incluindo transferências para um fundo nos Estados Unidos utilizado para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O gabinete de Mendonça não respondeu de imediato ao pedido de comentário da Reuters, e a defesa de Antônio Carlos Freixo Júnior também não foi localizada.
Segundo uma das fontes, na véspera da homologação, a defesa do empresário esteve no gabinete de Mendonça para reforçar a voluntariedade da colaboração premiada, uma exigência legal para que o acordo seja validado pelo Judiciário.
A voluntariedade é um requisito fundamental para que esse tipo de acordo tenha validade perante a Justiça.
As investigações da Polícia Federal (PF) indicam que a empresa de "Mineiro", a Entre Investimentos e Participações, foi utilizada como instrumento para realizar os repasses destinados ao filme sobre Bolsonaro.
O ex-presidente se encontra em prisão domiciliar após ter sido condenado pelo STF por tentativa de golpe, entre outros crimes.
O filme em questão, intitulado "Dark Horse", ganhou repercussão nacional após uma reportagem do Intercept Brasil, publicada em maio, revelar que Vorcaro teria acertado o repasse de milhões de reais com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente candidato à presidência da República, para custear a cinebiografia do pai.
O caso ganhou novos desdobramentos quando Mendonça abriu um inquérito contra Flávio Bolsonaro.
A abertura do inquérito ocorreu após a PF suspeitar que parte dos recursos destinados ao financiamento do filme pode ter sido desviada para custear a estadia do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos.
A homologação da delação de "Mineiro" representa mais um capítulo nas investigações que envolvem o financiamento do filme sobre o ex-presidente e os possíveis desvios de recursos associados ao caso.