Justiça de SP realiza primeira audiência sobre morte de jovem em rope jump

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, morta após ser lançada em rope jump sem corda — Foto: Reprodução/Instagram
Quatro réus respondem por homicídio qualificado após morte de jovem de 21 anos durante atividade de "rope jump" em Limeira, SP
A Justiça de São Paulo realiza, nesta quinta-feira (17), a primeira audiência de instrução sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida durante a prática de "rope jump" na Trilha da Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior do estado.
Quatro pessoas figuram como rés no processo e respondem por homicídio qualificado. De acordo com a defesa de um dos acusados, os réus não serão ouvidos nesta data, sendo convocadas apenas testemunhas de acusação.
Até o momento, não há previsão para a oitiva de Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves.
Nessa fase do processo, as defesas poderão apresentar elementos a serem anexados aos autos com base em depoimentos de testemunhas e dos acusados, visando à produção de provas sobre as circunstâncias da morte e a atribuição de responsabilidade aos envolvidos.
O acidente que tirou a vida de Maria Eduarda
No dia 13 de junho, Maria Eduarda contratou os serviços da empresa Entre Cordas para a realização da atividade esportiva "rope jump". Após ser lançada pelos funcionários de uma altura de 40 metros, constatou-se que ela não estava presa aos equipamentos de segurança.
Testemunhas presentes no local gravaram o momento do acidente, e nas imagens é possível ouvir pessoas gritando ao perceberem a falha no sistema de segurança.
Após o ocorrido, manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) foram realizadas por pessoas que estavam no local até a chegada das equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Mesmo assim, Maria Eduarda morreu no local em decorrência de politraumatismo.
Em depoimento à polícia, os acusados que trabalhavam no momento do acidente não conseguiram explicar como ocorreu a falha. A Justiça de São Paulo classificou o caso como negligência e converteu as prisões em preventivas.
Indiciamentos e denúncias
Foram realizados dois inquéritos que concluíram pela culpabilidade dos réus e pela prática dos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.
Os três instrutores da empresa Entre Cordas, Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, foram indiciados por homicídio qualificado.
Já Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada pelas investigações como responsável pela empresa, foi indiciada também por fraude processual, uma vez que houve tentativa de eliminar a câmera presa ao corpo de Maria Eduarda para obstruir as investigações.
Segundo as apurações, Evelyne gerenciava a logística, a captação de clientes e a divulgação comercial da empresa. As investigações apontam ainda que, por exercer essa função, ela tinha o dever de garantir os "padrões mínimos de segurança" na atuação dos instrutores.
Os quatro funcionários foram denunciados pelo Ministério Público no início de julho, quase um mês após a morte de Maria Eduarda, por homicídio com dolo eventual. O órgão afirma que eles tinham pleno conhecimento do perigo da atividade, mas deixaram de adotar os cuidados necessários para resguardar a segurança da jovem.
A audiência desta quinta-feira marca o início formal da fase de instrução do processo, na qual provas e depoimentos serão colhidos para embasar a decisão judicial sobre a responsabilidade dos acusados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas.