Lula defende soberania do Brasil e aponta momento crítico da ONU

Foto: Rircardo Stuckert/PR
Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, Lula afirma que o Brasil não aceita subordinação e defende a democracia global
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, afirmando que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém". Em seu pronunciamento, Lula deixou claro que o país busca parceiros dispostos a contribuir para o seu desenvolvimento, e não relações de subordinação. No mesmo discurso, Lula alertou para o estado da democracia global, declarando que ela "está novamente em xeque".
O presidente apontou que o mundo voltou a presenciar interferências externas em processos eleitorais, demonstrando preocupação com a soberania das nações. Lula também criticou os conflitos armados em curso, mencionando as guerras no Irã e na Ucrânia, e defendeu que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo seu próprio povo, sem ingerências externas. O discurso de Lula na ONU reforçou a postura do Brasil de afirmar sua independência nas relações internacionais, ao mesmo tempo em que o presidente se posicionou sobre temas centrais da geopolítica mundial, como conflitos armados, democracia e soberania nacional.
Momento mais crítico da ONU
O presidente disse ainda que a Organização das Nações Unidas (ONU) vive, desde 2003, seu momento mais crítico. “A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”.

“O sentimento que me move hoje é o da indignação”, disse . “A capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exércitos nem arsenais, nunca foi tão pequena”, completou.
Em sua fala, Lula lembrou que essa é a 10ª vez em que abre o debate geral e, da tribuna, voltou a criticar especificamente o trabalho do Conselho de Segurança da organização.
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse. “Em 1946, já na primeira sessão dessa assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez”.
Antes do pronunciamento, Lula se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O presidente brasileiro subiu à tribuna logo no início da sessão, antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na segunda-feira (21), Lula se reuniu, já em Nova York, com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com o senador americano Bernie Sanders.