Lula deve faltar ao debate da TV Globo e conceder entrevista em podcast

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - © Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula lidera pesquisas e deve evitar o último debate antes do 1º turno, priorizando entrevistas a podcasts
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ausentar-se do debate da TV Globo marcado para esta quinta-feira (1º/10), o último antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Caso a ausência seja confirmada, o petista encerrará a primeira fase da disputa pelo Palácio do Planalto sem ter participado de nenhum confronto direto com os demais candidatos. Até a terça-feira (29/9), Lula não havia comunicado à emissora se participaria do programa. Entre os integrantes da cúpula da campanha, prevalece a avaliação de que o presidente ficaria exposto a ataques dos demais candidatos convidados, todos do campo da direita. Essa percepção ganhou força após o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciar que participará do debate. O principal adversário de Lula vinha adotando a estratégia de faltar aos debates dos quais o petista também estivesse ausente, comparecendo apenas se Lula participasse. Mesmo com a ausência do presidente, porém, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve comparecer. Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, a decisão de Flávio contraria a ala mais ideológica de seus aliados. A avaliação desse grupo é de que, sem Lula no debate, o senador se tornará o principal alvo dos demais candidatos. Para esses aliados, a estratégia pode expor Flávio a ataques dos adversários na reta final do primeiro turno.
O candidato à reeleição busca evitar desgastes nos últimos dias de campanha. Nos últimos dias, ele ganhou um respiro nas pesquisas de intenção de voto, impulsionado pela polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, que atingiu em cheio a campanha do principal adversário. Segundo levantamento da Quaest divulgado na segunda-feira (28/9), Lula oscilou dois pontos positivos em comparação à pesquisa da semana anterior, chegando a 39% das intenções de voto no primeiro turno. O candidato do PL ficou com 34%, variando um ponto positivo. A sondagem ainda apontou que o petista teve um salto entre católicos, passando de 43% para 48%, enquanto entre evangélicos foi de 23% para 27%. Já na pesquisa BTG/Nexus, Lula também oscilou dois pontos para cima, resultado que tirou a disputa do empate técnico. No cenário, o presidente aparece com 42%, enquanto Flávio manteve 37% das intenções de voto no primeiro turno.
Ao longo da campanha, Lula tentou compensar a ausência em debates com participações em sabatinas e entrevistas a podcasts. A estratégia busca alcançar públicos diferentes e manter o presidente em formatos nos quais tenha maior controle sobre a agenda da conversa. Nesta campanha, Lula já concedeu entrevistas aos podcasts Meteoro Brasil, Inteligência LTDA, Não Inviabilize, As Cunhãs e Desce a Letra. Com a ausência confirmada no debate, a campanha do presidente negocia uma entrevista de Lula a um podcast de grande audiência no mesmo horário do confronto, marcado para começar às 21h20.
Depois de um giro pelo Norte e pelo Nordeste, Lula intensificará os atos na região Sudeste nos últimos dias de campanha. Nesta quarta-feira (30/9), a quatro dias do primeiro turno, o presidente desembarca em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, ao lado de Patrus Ananias (PT), que disputa o governo de Minas Gerais. Também participam as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSol), além de apoiadores e outras lideranças políticas do estado. Na sexta-feira (2/10), Lula fará caminhadas em Belo Horizonte (MG) e no Rio de Janeiro (RJ). No sábado (3/10), participará do ato final em São Paulo (SP). Nos três eventos, estarão vedados comícios e o uso de aparelhagem de sonorização fixa. Até as 22h da véspera do primeiro turno, será permitida a distribuição de material gráfico, além da realização de caminhada, carreata ou passeata, com ou sem outros meios de locomoção, acompanhadas ou não por carro de som ou minitrio. Lula indicou a auxiliares que pretende acompanhar a apuração do primeiro turno na capital paulista, onde tem residência fixa. O presidente vota em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.