Lula chama Trump de “amigo” e pede que não interfira nas eleições brasileiras

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula afirmou a pastores evangélicos que alertou Trump para não interferir nas eleições brasileiras e defendeu a soberania das urnas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou Donald Trump de "amigo" e afirmou tê-lo alertado para que não tente interferir nas eleições brasileiras. A declaração foi feita durante um encontro com pastores evangélicos de diversas igrejas do Brasil e de outros países.
Lula destacou que "daqui a 19 dias esse País vai decidir que tipo de regime ele quer" e "que tipo de governo ele quer", reforçando o caráter soberano do processo eleitoral brasileiro. "O povo brasileiro é soberano. Eu já disse inclusive ao meu amigo Trump, não se meta nas eleições brasileiras, que esse é um problema do povo brasileiro. E não duvide das urnas brasileiras. A prova mais contundente que eu tenho de que a urna brasileira é a mais séria do mundo é que se ela pudesse roubar, o Lula não seria presidente da República três vezes", afirmou o presidente.
Durante o mesmo encontro, Lula também abordou o tema da desigualdade social e do papel do eleitor pobre no processo democrático. O presidente disse que "o pobre não é levado a sério" e "não é respeitado", acrescentando que "só tem um dia que o pobre tem muito valor, o dia da eleição".
"Depois da eleição, o pobre volta a ser pobre. Você não vê ninguém falando mal de pobre no dia da eleição. A pessoa fala mal de banqueiro, fala mal de empresário, fala mal de todo mundo. Mas de pobre não fala. Mas depois da eleição, volta a almoçar com o banqueiro, jantar com o empresário. E o pobre quer esquecimento outra vez. O dia que o povo pobre tiver consciência e começar a votar nas pessoas do mundo dele, possivelmente a gente faça como aconteceu na África do Sul", declarou.
As declarações de Lula ocorrem em um momento de tensão política no país, a menos de três semanas das eleições municipais brasileiras, reforçando o debate sobre soberania eleitoral e a influência de lideranças estrangeiras no processo democrático nacional.