Namorado de universitária encontrada morta em Fortaleza é preso

João Munhoz Neto era namorado de Isabelle Caracristi - Crédito: Reproduçaõ
João Munhoz Neto foi detido preventivamente em Fortaleza após a morte da universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos
João Munhoz Neto, namorado da universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi preso preventivamente nesta terça-feira (22) em um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza. A jovem foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com ele no dia 13 de setembro.
A polícia não divulgou a linha de investigação nem o motivo da prisão preventiva. O caso ganhou repercussão nas redes sociais na sexta-feira (18), após a mãe de Isabelle Caracristi publicar um vídeo cobrando explicações e justiça.
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou, em nota, que os "procedimentos de competência do Poder Judiciário relacionados à investigação sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi tramitam em segredo de Justiça".
O que aconteceu
Isabelle Caracristi cursava o segundo semestre de Direito e havia estagiado por aproximadamente 20 dias em um escritório de advocacia em Fortaleza, onde conheceu João Munhoz Neto. Segundo a empresa, em agosto ela solicitou seu desligamento "por razões de ordem pessoal".
A jovem morava no Condomínio La Piazza, no bairro Aldeota, com o namorado, a sogra e um irmão dele.
A cronologia dos eventos daquela noite foi reconstituída a partir de imagens de câmeras de segurança obtidas pelo Diário do Nordeste e confirmadas pelo g1.
Às 18h32 do dia 13 de setembro, João Munhoz Neto foi até a portaria do Condomínio La Piazza. Depois, o namorado e a mãe dele deixaram o condomínio em um carro.
Às 19h12, Isabelle Caracristi apareceu sozinha em um elevador, com o celular na mão, e seguiu para o rooftop, no 23º andar.
Por volta de 20h40, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ocorreu o óbito de Isabelle Caracristi.
Às 22h48, o namorado da estudante retornou ao condomínio.
Ainda na noite de 13 de setembro, uma equipe da Perícia Criminal da Pefoce foi acionada.
Durante os exames, foram identificadas lesões no corpo da estudante "compatíveis com o impacto contra o solo". Exames laboratoriais tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico.
No dia 14 de setembro, a mãe de Isabelle foi ao condomínio e foi informada sobre a morte da filha.
Em 18 de setembro, o caso ganhou repercussão nas redes sociais após a mãe publicar um vídeo cobrando explicações e justiça.
No dia 20 de setembro, a mãe de João Munhoz foi encontrada na praia do Cumbuco, em Caucaia, município vizinho a Fortaleza, onde a Polícia cumpria um mandado de busca e apreensão para apreender o celular e o tablet dela.
Em 21 de setembro, a mãe e o irmão de Isabelle Caracristi foram ouvidos na delegacia que investiga o caso.
Nesta terça-feira (22), João Munhoz Neto foi preso preventivamente.
O que diz a mãe da vítima
A professora Isorlanda Caracristi descreveu a filha como "intensa e romântica", uma "menina linda, extremamente amorosa".
"Quando eu viajava para trabalhar em Sobral, ela me ligava o tempo inteiro para saber se tinha chegado bem. Éramos muito amigas", disse Isorlanda em entrevista à TV Verdes Mares.
Nos dias que antecederam a morte, Isabelle Caracristi relatou à mãe que estava com dores no pescoço e quis passar o fim de semana com ela. No sábado, dia 12 de setembro, as duas foram juntas ao aniversário de um familiar.
No domingo, Isabelle informou que iria a uma missa e procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima com o namorado e a mãe dele.
Durante o tempo que passou com a filha, Isorlanda percebeu que Isabelle recebia muitas mensagens do namorado, a quem atribui um comportamento controlador.
As últimas mensagens enviadas por Isabelle Caracristi à mãe foram duas: uma pedindo que ela olhasse uma comida deixada na airfryer, e outra com o texto "Mãe, eu te amo".
Quando a jovem não respondeu às mensagens seguintes, a professora cogitou que ela tivesse dormido por efeito de um relaxante muscular.
Na manhã da segunda-feira (14), sem respostas, Isorlanda tentou contato com o namorado de Isabelle.
"Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada… Certo, aí eu me desesperei", relatou Isorlanda.
Ao chegar ao condomínio com o irmão, Isorlanda foi recebida pelos funcionários, que hesitavam em dar informações. A síndica comunicou que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo tinha sido levado para a sede da Perícia Forense.
"Vocês não querem saber o que é isso não, a dor que eu senti. É como se estivesse rasgando todo o meu corpo. (...) Eu dizia para a síndica: 'não me diga, isso é sonho, isso é sonho, não é verdade'... Aí eu pergunto, meu Deus, o que aconteceu com a minha filha, até hoje", desabafou.
"Aí, depois disso, pronto. Nada. Ela não me deu 'boa noite', porque toda noite ela me dava 'boa noite'. Não me deu 'boa noite', eu fiquei, achei que 'não, mas ela tomou relaxante muscular, deve ter dormido'... Mas meu coração sempre, sempre apertado, me dizendo que a mãe sabe, a gente pressente, a gente tem um sentimento, a gente sabe disso", relatou Isorlanda.
O que dizem o namorado e a mãe dele
Segundo a mãe de Isabelle Caracristi, o namorado e a sogra da filha não retornaram nenhuma tentativa de contato nem se manifestaram desde a morte da jovem.
A TV Verdes Mares tentou falar com João Munhoz e com o escritório de advocacia onde ele trabalhava. A produção conseguiu contato telefônico com a mãe do namorado, que desligou após a reportagem se identificar. Outras tentativas não foram atendidas.
O escritório onde João Munhoz trabalhou informou, por nota, que ele exerceu "exclusivamente atividades de natureza administrativa" e que deixou de prestar serviços à empresa.
O celular e um tablet da mãe de João Munhoz foram apreendidos pela Polícia Civil, assim como o celular de Isabelle Caracristi, que será periciado.
A prisão preventiva de João Munhoz Neto marca um novo capítulo nas investigações sobre a morte de Isabelle Caracristi. Com o caso tramitando em segredo de Justiça, a polícia ainda não divulgou detalhes sobre a linha investigativa adotada, enquanto a família da jovem aguarda respostas sobre o que aconteceu naquela noite de 13 de setembro.