Irã reúne 300 mil em ato contra EUA e Israel

Bandeira do Irã hasteada próximo a esforços militares
Manifestantes marcharam em Teerã com uniformes militares após ataques dos EUA e de Israel; governo incentiva treinamento com fuzis
Um ato em Teerã reuniu mais de 300 mil iranianos nesta sexta-feira em uma demonstração de força e mobilização popular após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ocorridos em fevereiro, segundo informações da NBC News. Os participantes marcharam pelo centro da capital iraniana com uniformes militares e bandeiras, em um evento que contou com o incentivo do governo para adesão a um programa de treinamento com fuzis.
A TV estatal iraniana estimou que mais de 300 mil pessoas estiveram nas ruas durante o ato. O chefe da Guarda Revolucionária em Teerã, general Hassan Hassanzadeh, afirmou que mais de 600 mil pessoas já se inscreveram para participar do treinamento militar e que esse número deve superar 1 milhão de iranianos. Hossein Taeb, novo chefe da milícia Basij, declarou que os voluntários estarão prontos para uma "defesa completa". Ele acrescentou que os novos participantes serão um "pesadelo" para os inimigos do Irã, reforçando o tom beligerante do evento.
Parte dos manifestantes pisoteou bandeiras dos EUA e de Israel e gritou palavras de ordem contra os dois países. Marzieh Afaghi, de 24 anos, afirmou que os iranianos não temem ameaças do presidente americano, Donald Trump. O ato também exibiu equipamentos militares, como baterias antiaéreas, drones e metralhadoras montadas em caminhões. Os drones mostrados foram utilizados contra embarcações no estreito de Hormuz, onde o Irã afirma ter controle desde o início da guerra. O governo iraniano busca destacar unidade nacional em um momento em que a economia do país se deteriora sob o bloqueio naval dos EUA a portos iranianos e novas sanções americanas. Em janeiro, protestos nacionais eclodiram em razão da crise econômica e se ampliaram para outras críticas ao governo teocrático.
Em maio, autoridades iranianas chegaram a afirmar que mais de 30 milhões de pessoas se voluntariaram para dar a vida pela teocracia, dado que a Associated Press não conseguiu confirmar de forma independente. O Irã segue utilizando demonstrações públicas de força como instrumento de pressão diante do acirramento das tensões com os Estados Unidos e Israel.