Haiti tem mandato de força de segurança renovado pela ONU

Foto: ONU/Eskinder Debebe
ONU prorroga por seis meses o mandato da Força de Supressão de Gangues no Haiti, às vésperas das primeiras eleições em uma década
O Conselho de Segurança das Nações Unidas prorrogou, nesta terça-feira, por seis meses o mandato da Força de Supressão de Gangues (GSF) no Haiti. A decisão visa reforçar a segurança no país caribenho, onde grupos armados controlam grande parte do território, e garantir condições mínimas para a realização das primeiras eleições em uma década, previstas para dezembro. Doze países votaram a favor da renovação do mandato, sem nenhum voto contrário. China, Rússia e Paquistão se abstiveram, com seus representantes citando preocupações sobre a insuficiência de recursos financeiros, pessoal e eficácia da força. A prorrogação tem como objetivo assegurar estabilidade antes das eleições marcadas para 13 de dezembro, com resultados finais previstos para 7 de março.
O mandato foi renovado até 31 de março de 2027. O Haiti havia solicitado apoio internacional em segurança pela primeira vez em 2022 e instou as nações a renovarem o mandato da força, que atualmente opera com menos de 30% do efetivo previsto. O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, um dos representantes dos países que propuseram a moção, informou que cerca de 1.500 soldados da GSF estão atualmente mobilizados no Haiti, com os 4.000 restantes previstos para chegar nos próximos meses. "Sete missões foram dedicadas ao Haiti nas últimas décadas e, obviamente, com sucesso limitado", declarou Waltz. "Estamos tentando fazer algo genuinamente diferente."
A votação ocorreu poucas horas depois de um novo episódio de violência: membros de gangues na região do celeiro do Haiti incendiaram casas e mataram pelo menos 11 pessoas. Um prefeito local descreveu o ataque como retaliação após uma unidade da GSF ter eliminado três membros de gangues durante uma operação contra pedágios ilegais. Um mês antes, outro massacre na cidade de Kenscoff, localizada nas encostas próximas à capital, havia deixado pelo menos 47 mortos e cerca de 50 sequestrados, evidenciando a gravidade da crise de segurança no país. A GSF foi lançada há um ano, após o fracasso da missão anterior liderada pelo Quênia, que também enfrentou dificuldades para atingir seus objetivos com contribuições voluntárias e retirou suas tropas no início deste ano. Sucessivos governos de transição vêm adiando as eleições por longo período devido ao agravamento da insegurança, situação que já forçou cerca de 1,5 milhão de pessoas a abandonarem suas casas.