Frank Martins: ''O papelão protagonizado por Matheus Pereira e Kaio Jorge''

Frank Martins: ''Deveríamos estar discutindo os dois golaços da vitória do Cruzeiro sobre o Athletico-PR, não o papelão protagonizado por Matheus Pereira e Kaio Jorge''
Matheus Pereira e Kaio Jorge precisam entender que o verdadeiro protagonismo deveria ter aparecido contra Flamengo e Atlético, nos jogos que eliminaram o Cruzeiro da Libertadores e da Copa do Brasil
O Cruzeiro venceu o Athletico-PR por 3 a 1, conseguiu uma importante vitória no Brasileirão e deveria estar sendo elogiado pelos dois golaços marcados por Matheus Pereira e Lucas Romero. Mas, desde o apito final, o que mais se discute é a cena protagonizada por Matheus e Kaio Jorge antes da cobrança do segundo pênalti.
É uma pena.
Não porque jogadores não possam discordar ou porque não devam querer assumir a responsabilidade. Pelo contrário. Um time que pretende disputar títulos precisa de jogadores que queiram a bola nos momentos decisivos. O problema foi a maneira como tudo aconteceu.
Matheus havia perdido um pênalti no primeiro tempo, Kaio sofreu a segunda penalidade e decidiu fazer a cobrança. Matheus pediu a bola, Kaio não entregou e os dois protagonizaram uma discussão desnecessária diante de todo o estádio.
Artur Jorge fez bem ao colocar panos quentes na situação. O treinador explicou que os dois estão entre os cobradores definidos pelo Cruzeiro e que o importante é haver entendimento entre eles. É uma postura sensata, porque transformar uma discussão de segundos em uma crise seria dar ao episódio uma dimensão que ele não merece.
Mas também não acho que devemos simplesmente ignorar o que aconteceu.
Matheus Pereira e Kaio Jorge são dois dos principais jogadores do Cruzeiro e, por isso mesmo, precisam compreender o tamanho da responsabilidade que carregam. O torcedor espera que eles sejam protagonistas, mas esse protagonismo deveria ter aparecido contra Flamengo e Atlético, nos jogos que eliminaram o Cruzeiro da Libertadores e da Copa do Brasil. É nesses confrontos, quando a temporada está sendo decidida, que os grandes jogadores precisam chamar a responsabilidade.
Disputar a bola por um pênalti no Campeonato Brasileiro não é o problema. O problema é transformar uma cobrança em uma queda de braço entre dois companheiros. Ainda mais quando o time precisa de ambos unidos para enfrentar uma sequência decisiva da temporada.
Existe uma diferença entre personalidade e ego. A personalidade faz o jogador pedir a bola porque quer decidir. O ego faz com que ele precise mostrar que é ele quem deve decidir.
Kaio Jorge marcou o gol e Matheus Pereira também deixou o seu. Os dois foram importantes na vitória. Portanto, não há motivo para transformar uma situação pequena em um problema maior do que ela realmente é. Mas seria igualmente errado não tirar nenhuma lição do episódio.
O Cruzeiro precisa dos dois. Precisa da criatividade de Matheus, da presença de área de Kaio e, principalmente, da maturidade de ambos para entender que o objetivo é maior do que qualquer disputa individual.
O verdadeiro protagonismo não está em quem fica com a bola na hora do pênalti. Está em quem aparece quando o Cruzeiro mais precisa. E esses momentos, infelizmente, foram contra Flamengo e Atlético, quando a temporada cobrava exatamente isso deles.