Rússia pede desmilitarização após EUA afirmarem ter armas no espaço

EUA já possuem armas em órbita para missões de defesa e ataque - Foto: dima_zel
Rússia e China reagem ao anúncio da Força Espacial americana sobre armas em órbita e pedem desmilitarização do espaço
A Rússia se posicionou nesta terça-feira (15/9) em defesa de um espaço sideral livre de armamentos, após a Força Espacial dos Estados Unidos confirmar o primeiro posicionamento de "armas de controle espacial em órbita". O anúncio americano gerou reações imediatas de Moscou e Pequim, acendendo um novo debate sobre a militarização do espaço.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, foi direto ao afirmar a posição russa sobre o tema. "Acreditamos que o espaço deve estar livre de qualquer arma", declarou. Segundo ele, a Rússia espera que haja um consenso internacional para avançar em direção à "completa desmilitarização do espaço".
A China também se manifestou no mesmo dia, fazendo um apelo ao governo dos Estados Unidos a "deixar de se preparar para a guerra" no espaço.
A Força Espacial dos Estados Unidos havia anunciado na segunda-feira que colocou "armas de controle espacial em órbita capazes de defender (...) contra ações hostis de adversários", sem revelar detalhes sobre a natureza ou localização dos equipamentos. Ao fazer o comunicado, a agência americana citou a China como uma ameaça, afirmando que Pequim "desenvolve e opera capacidades espaciais e antiespaciais como parte de uma estratégia de modernização militar".
A Rússia também foi mencionada no anúncio da Força Espacial americana. O documento indicou que Moscou "considera o espaço um domínio de combate e acredita que a supremacia espacial será um fator decisivo em conflitos futuros", reforçando a narrativa de rivalidade geopolítica que permeia o setor.
O contexto histórico do debate remete a 1967, quando as superpotências e outros países assinaram o Tratado do Espaço Sideral, que proíbe armas de destruição em massa em órbita. O novo posicionamento da Força Espacial americana levanta questões sobre os limites desse acordo e sobre o futuro da governança espacial internacional.