PT tenta transformar crise do STF em oportunidade para Lula nas eleições

Foto: Pedro França / CNJ
PT quer destacar imagem institucional de Lula em contraste com Flávio Bolsonaro em meio à crise do STF
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda avalia como reagir à mais recente crise do Supremo Tribunal Federal (STF), considerando que os episódios recentes retiram das campanhas eleitorais a capacidade de pautar os debates.
Petistas próximos a Lula, no entanto, falam em transformar um "problema" em uma "oportunidade", buscando marcar diferenças entre os discursos do presidente e de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A aposta do Partido dos Trabalhadores (PT) é reforçar a imagem "institucional" de Lula, apresentando-o como um mandatário experiente e capaz de arbitrar em momentos de crise.
O pronunciamento do presidente veiculado na quinta-feira (3) faz parte dessa estratégia, na qual o PT busca posicionar Lula como uma referência de estabilidade diante do cenário de turbulência política e judicial.
O secretário de comunicação do PT, Eden Valarades, publicou no X (antigo Twitter) que Lula representa "experiência", enquanto Flávio Bolsonaro seria uma "aventura". O dirigente comparou os candidatos e questionou a capacidade de cada um de conduzir o país diante da crise.
"Lula reconhece que há uma grave crise das instituições, do sistema político e judiciário, e defende reformas profundas com medidas urgentes. Flávio tenta fazer do atual momento um instrumento de campanha, uma bravata para manipular voto", disse Valarades.
Desde o pronunciamento gravado no Palácio do Planalto, Lula passou a abordar o tema com mais frequência, defendendo uma investigação "doa a quem doer" e uma reforma no Poder Judiciário.
A postura do presidente busca demonstrar disposição para enfrentar a crise de frente, sem poupar instituições.
A estratégia petista também visa pressionar o ministro André Mendonça e o STF a retirar o sigilo do caso Dark Horse, investigação em que Flávio Bolsonaro teria pedido dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A retirada do sigilo da investigação sobre Alexandre de Moraes vem sendo usada como munição para intensificar essa pressão.