Após crise da Padroeira, Flávio Bolsonaro diz respeitar todas as religiões

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Campanha de Flávio Bolsonaro emite nota para conter crise gerada pela polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida
Para conter o desgaste causado pela polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, divulgou uma nota nesta terça-feira (29/9) defendendo o respeito a "todas as religiões e formas de expressão da fé". O comunicado também esclareceu que a promessa do político de decretar que "o Brasil é do Senhor Jesus Cristo" se trata de uma oração que ele pretende realizar caso seja eleito e tome posse como presidente.
A equipe de Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. "Flávio Bolsonaro sempre defendeu o total respeito a todas as religiões e formas de expressão da fé. Flávio fará uma oração antes de ler o termo de posse quando assumir a Presidência da República entregando o Brasil a Jesus Cristo, numa ação simbólica de agradecimento e também como um pedido de proteção e benção para todos os brasileiros", diz a nota. A crise teve início na semana passada, quando circularam na internet publicações afirmando que o senador Flávio Bolsonaro estaria por trás de um plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
O conteúdo que viralizou recuperou também um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (MDB-MT), que previa alterar a legislação sobre o feriado de 12 de outubro e sugeria substituir a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". A polêmica ganhou novos desdobramentos no âmbito judicial. No último domingo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino derrubou a decisão do ministro André Mendonça, que havia determinado a remoção de uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre o caso. Na segunda-feira, o ministro Luiz Fux restabeleceu a ordem de Mendonça, e o caso deve ir para discussão no plenário da Corte.
Para aumentar ainda mais a tensão, Flávio Bolsonaro acusou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudar a disseminar notícias falsas sobre o episódio. A entidade rebateu o candidato e declarou que "mentira não se combate com outra mentira". Em meio à polêmica, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o momento para ampliar sua popularidade entre os católicos. Em comício realizado em Belém nessa segunda-feira, o petista ergueu a imagem da padroeira do Pará, Nossa Senhora de Nazaré. Em outro momento, Lula declarou que, enquanto estiver à frente da Presidência da República, "ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida".