Flávio Bolsonaro diz que encontro entre Mendonça e Vorcaro é "cortina de fumaça"

EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO
Pré-candidato à Presidência defende André Mendonça após encontro com banqueiro Vorcaro e renova ataques a Alexandre de Moraes
O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) minimizou, nesta quarta-feira, 2, o encontro do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, classificando a polêmica como uma "cortina de fumaça". Ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de o ministro ficar suspeito no caso, Flávio foi categórico: "Óbvio que não. É impossível querer lançar uma cortina de fumaça como essa contra o ministro André Mendonça. Pelo que eu vi na nota que ele publicou, foi numa época que ele sequer era relator dessa ação, tratando de um assunto específico registrado em sua agenda. Portanto, algo totalmente profissional, muito diferente do que fez Alexandre de Moraes". As declarações foram feitas após um almoço com representantes do agronegócio gaúcho na Expointer, feira agropecuária realizada em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
O ministro Mendonça, que atualmente é relator do caso do Banco Master no STF, recebeu pessoalmente o banqueiro Daniel Vorcaro no início de 2025. O gabinete do magistrado informou que a reunião teve como objetivo tratar de uma ação em tramitação na Corte sobre créditos de precatórios de interesse do banco. Mendonça também ressaltou que o empresário procurou outros ministros para discutir o mesmo assunto. A informação sobre o encontro foi divulgada originalmente na newsletter "Noites Húngaras", do jornalista Paulo Motoryn, no Substack, e reproduzida pelo ICL Notícias. A revelação ocorreu um dia após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo suspeitas de ligações impróprias entre Alexandre de Moraes e Vorcaro, conforme revelado pelo Estadão.
Flávio Bolsonaro aproveitou a ocasião para renovar suas críticas ao ministro Alexandre de Moraes e defender seu afastamento da Corte. Na avaliação do senador, Moraes teria cometido "diversos crimes" e utilizado o cargo para proteger Vorcaro. "É inadmissível, com o que veio à tona, ele continuar sendo o ministro do Supremo", afirmou. Sobre o processo de impeachment de Moraes, Flávio Bolsonaro informou que sua bancada de oposição já protocolou mais de 50 pedidos contra o ministro, além de citar pedidos contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Apesar das críticas a Moraes, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende "defender" o STF enquanto instituição, argumentando que os episódios envolvendo o ministro não devem contaminar a imagem da Corte. "A gente não pode mais admitir que uma laranja podre contamine todas as laranjas. Temos que fazer uma defesa intransigente para o Supremo Tribunal Federal", declarou. O pré-candidato também adiantou que, caso eleito, indicará cinco ministros ao STF, buscando nomes contrários às drogas e ao aborto e favoráveis à propriedade privada.
Flávio Bolsonaro também abordou a área de segurança pública durante o evento, prometendo dobrar o número de presídios federais e criar 500 mil novas vagas no sistema prisional. Segundo ele, as unidades federais passariam a se chamar "treva". O pré-candidato defendeu ainda o endurecimento das penas e propôs que o roubo de celular tenha pena mínima de oito anos. As declarações de Flávio Bolsonaro reforçam o posicionamento de sua ala política diante das recentes revelações sobre as relações entre ministros do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro, em meio a um cenário de crescente tensão institucional.