FGV: 60,5% veem emprego estável

Carteira de trabalho e desemprego | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Sondagem do FGV Ibre mostra que maioria dos trabalhadores considera improvável perder emprego nos próximos seis meses
A maior parte dos trabalhadores brasileiros demonstra otimismo em relação à estabilidade no emprego, segundo a mais recente Sondagem de Mercado de Trabalho do FGV Ibre. Com dados do trimestre encerrado em agosto de 2026, o levantamento revela que 60,5% dos entrevistados consideram "muito improvável" ou "improvável" perder o principal emprego e/ou fonte de renda nos próximos seis meses. Na outra ponta, 12,2% avaliam ser "provável" ou "muito provável" que haja perda do emprego e/ou da fonte de renda no mesmo horizonte de tempo. Outros 27,4% afirmaram não saber responder. Em relação ao trimestre encerrado em julho, a soma de "muito improvável" e "improvável" subiu de 59,3% para 60,5%. Já as respostas "provável" e "muito provável" ficaram praticamente estáveis, passando de 12,1% para 12,2%, enquanto os que "não sabem dizer" recuaram de 28,6% para 27,4%.
A sondagem do FGV Ibre também captou a percepção dos trabalhadores sobre a rede de proteção social em caso de perda do emprego e/ou principal fonte de renda. No trimestre encerrado em agosto, 39,9% afirmaram se sentir "muito desprotegidos" e 29,7% "parcialmente desprotegidos", enquanto 30,4% disseram se sentir "protegidos". Na comparação com julho, avançou a parcela que se sente muito desprotegida, de 39,0% para 39,9%, e também a dos que se declaram protegidos, de 29,1% para 30,4%. Em contrapartida, recuou a fatia dos parcialmente desprotegidos, que passou de 31,8% para 29,7%. Quando questionados se, em caso de perda do principal emprego e/ou fonte de renda, teriam acesso a programas do governo ou benefícios sociais, 45,9% responderam que sim e 54,1% que não, no trimestre encerrado em agosto. Em julho, os percentuais eram de 45,3% e 54,7%, respectivamente.
O levantamento do FGV Ibre também mediu o grau de satisfação dos trabalhadores com suas atividades profissionais. No trimestre encerrado em agosto, 78,1% afirmaram se sentir satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho atual. Esse percentual voltou a subir nos últimos dois meses, após uma sequência de quatro quedas consecutivas. Por outro lado, o percentual de respondentes insatisfeitos ou muito insatisfeitos ficou relativamente estável, em 7,5%. Entre os que demonstraram insatisfação, em qualquer grau, o principal motivo citado continuou sendo a remuneração. A remuneração baixa representou, na média encerrada em agosto, 52,5% dos insatisfeitos. Os outros fatores com maior relevância foram carga horária elevada (20,2%) e saúde mental (13,8%). Nesse quesito, os trabalhadores podiam citar mais de uma opção, razão pela qual as respostas somam mais de 100%.
Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, avalia os resultados de forma positiva. "Esse resultado reforça a sinalização sobre o mercado de trabalho atual, que mesmo com alguma desaceleração, ainda se mantém resiliente. Considerando que a economia brasileira tem dado indícios de redução do ritmo de crescimento, é natural que os dados sobre o mercado de trabalho também caminhem nessa direção, mas ainda se mantendo em patamar positivo em termos históricos", afirma em comunicado. Os dados da Sondagem de Mercado de Trabalho do FGV Ibre indicam, portanto, que o mercado de trabalho brasileiro segue em terreno positivo, com a maioria dos trabalhadores confiante na manutenção de seus empregos e com níveis elevados de satisfação profissional, ainda que questões como proteção social e remuneração permaneçam como pontos de atenção.