Fachin deve propor punição a Moraes e Mendonça, entendem aliados

Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Aliados do presidente do STF defendem que Fachin leve ao plenário uma proposta de punição aos ministros envolvidos na "crise Master"
Aliados do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, defendem que ele leve ao plenário uma proposta que dê respostas aos dois protagonistas da "crise Master" na Corte. Esses interlocutores não descartam nem mesmo a discussão de punições aos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. A crise entre os dois ministros atingiu um nível sem precedentes dentro do tribunal, com um embate aberto que, segundo aliados de Fachin, exige uma resposta institucional clara para demonstrar que o STF não age de forma corporativista na defesa de seus membros.
As justificativas para responsabilizar cada um dos envolvidos são distintas: - Mendonça deve ser advertido pelo que foi considerado uma invasão de prerrogativas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, quando o magistrado avançou sobre dados envolvendo o colega. - Moraes precisa explicar sua ligação com Daniel Vorcaro e esclarecer se tomou alguma medida para beneficiar o ex-banqueiro. "Não será possível varrer tudo isso para debaixo do tapete, tal como aconteceu no caso de Toffoli. É preciso mostrar para a sociedade que o tribunal não poupa seus pares", disse reservadamente um aliado de Fachin.
O presidente do STF já adotou, na sexta-feira (4), uma medida relevante: retirou o pedido de Alexandre de Moraes contra André Mendonça do âmbito do inquérito das fake news e levou o pleito para o seu gabinete. Fachin juntou o pedido de Moraes ao de Mendonça e determinou que todos os envolvidos na "crise Master" enviem, em um prazo de cinco dias, explicações para que ele possa definir o que será levado ao plenário. Segundo a equipe de Fachin, o caso será submetido ao plenário físico. A expectativa é que a temperatura, que na quinta-feira (3) atingiu um ponto explosivo, diminua nos próximos dias com o fim de semana e o feriado de Sete de Setembro.
Após esse período, o presidente do STF aguardará as respostas de todos os envolvidos para definir o que propor ao plenário. Nos bastidores, ministros das duas alas avaliam que teria faltado pulso a Fachin na condução da crise, o que teria ampliado o embate entre Moraes e Mendonça. Integrantes da Corte, ouvidos sob condição de reserva, apontam que o presidente do STF deveria ter sido mais enfático nas conversas para costurar algum entendimento ou estabelecer um protocolo entre os colegas, a fim de evitar ataques públicos — vistos como uma forma de deslegitimar o Supremo e reforçar críticas externas.
Interlocutores de Fachin, no entanto, afirmam que o presidente tem atuado de forma firme e intensa para preservar a Corte diante da escalada da crise e para evitar a guerra pública entre os dois colegas. Esses auxiliares destacam que Fachin tem realizado reuniões não só com Moraes e Mendonça, mas também com interlocutores deles, além de conversar individualmente com todos os ministros para construir uma solução conjunta. A situação segue em aberto enquanto o STF aguarda os próximos desdobramentos da "crise Master", que expôs tensões internas sem precedentes na história recente da Corte.