Inep proíbe "repertórios de bolso" na redação do Enem 2026

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O Inep publicou a Cartilha do Participante do Enem 2026 com orientações sobre redação e reforça a proibição de referências genéricas e decoradas.
Os estudantes que vão realizar o Exame Nacional do Ensino Médio em 2026 já podem acessar a nova edição da cartilha "A Redação do Enem 2026 – Cartilha do Participante", publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O documento está disponível no portal do Inep e reúne as principais orientações sobre a prova de redação, além de exemplos comentados de textos que alcançaram nota máxima na edição anterior.
Pelo segundo ano consecutivo, a cartilha traz uma orientação explícita que reforça uma regra já presente nas edições anteriores do exame: a proibição dos chamados "repertórios de bolso". O Inep define esse conceito como "referências prontas, memorizadas e frequentemente utilizadas pelos(as) participantes, de forma genérica e pouco aprofundada, sem uma conexão genuína com o tema proposto". "É como se fosse um repertório guardado no bolso para ser usado com qualquer tema, mesmo que não seja totalmente adequado ou pertinente", afirma a cartilha.
Segundo o Inep, a competência II da redação do Enem exige que o participante utilize repertórios socioculturais legitimamente relacionados ao tema. Isso significa que as referências devem: - Ser pertinentes ao assunto tratado, sem generalizações vazias ou desconexas do problema proposto. - Estar bem contextualizadas e articuladas com os argumentos desenvolvidos ao longo do texto. - Demonstrar que o participante é capaz de relacionar o conhecimento adquirido ao problema discutido na prova. "Se o(a) avaliador(a) perceber que o repertório foi inserido de forma decorada, automática ou forçada, ele(a) pode avaliá-lo como não produtivo, o que poderá prejudicar a nota da competência II", alerta o documento.
Os candidatos terão de escrever um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, a partir da situação-problema apresentada na prova. Serão considerados os conhecimentos adquiridos pelo estudante ao longo de sua formação, além daqueles apresentados nos textos motivadores. A correção será realizada por, no mínimo, dois avaliadores independentes, cada um atribuindo nota de 0 a 200 pontos em cinco competências, que somadas podem chegar a 1.000 pontos. A nota final será a média aritmética de todos os corretores.
O Inep destaca que algumas situações podem levar à nota zero, entre elas: fuga total ao tema; redação com até 7 linhas; inserção de trechos desconectados do assunto; não seguir a estrutura dissertativo-argumentativa; e desrespeitar a seriedade do exame.
Segundo a cartilha, os avaliadores observarão se o estudante domina a modalidade escrita formal da língua portuguesa, organiza informações, fatos e argumentos de forma consistente, utiliza mecanismos linguísticos adequados para a argumentação e apresenta uma proposta de intervenção para o problema discutido.
Criado há mais de duas décadas, o Enem se consolidou como a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil. As notas podem ser utilizadas para concorrer a vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) e pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Diversas instituições públicas e privadas também utilizam o exame como critério de seleção, seja de forma exclusiva ou complementar. Além disso, os resultados individuais podem ser aproveitados em universidades portuguesas com convênio junto ao Inep, facilitando o ingresso de brasileiros no ensino superior em Portugal.