Após tragédia, Elevador da Glória, em Lisboa, terá novo sistema até 2029

O Elevador da Glória após tragédia que matou 16 pessoas (Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA)
A Carris planeja lançar concurso internacional em 2027 para substituir o Elevador da Glória após acidente que matou 17 pessoas
O "Elevador da Glória", um dos símbolos turísticos de Lisboa, deve voltar a funcionar em 2029 com um sistema completamente novo.
A empresa municipal de transporte da capital portuguesa, a Carris, anunciou que pretende lançar, no primeiro trimestre de 2027, um concurso internacional para construir e instalar o novo equipamento.
A investigação sobre o acidente que motivou a mudança ainda está em andamento.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (31), quase um ano após o acidente em que uma das cabines do "Elevador da Glória" descarrilou e provocou a morte de 17 pessoas.
O episódio resultou na renúncia do então presidente da Carris, Pedro Bogas, depois que um relatório preliminar apontou falha operacional como causa do acidente.
O projeto prevê substituir o sistema histórico por um equipamento moderno, adaptado às normas atuais de segurança e acessibilidade.
A Carris afirma, porém, que pretende preservar a identidade do "Elevador da Glória" e sua relação com a Calçada da Glória, uma das ruas mais íngremes e tradicionais da capital portuguesa.
"É uma nova solução, não uma reconstrução", disse Rui Lopo, presidente do conselho de administração da Carris, durante a apresentação do projeto em Lisboa.
Ainda não há detalhes definitivos sobre o novo equipamento.
A empresa não informou a capacidade das novas cabines, o modelo de tração, quem será responsável pela manutenção ou o valor previsto para a obra.
O "Elevador da Glória" era composto por dois bondes sobre trilhos que ligavam a parte alta à parte baixa da cidade, conectados por um cabo.
Eles se movimentavam simultaneamente, um subindo e outro descendo, num mecanismo de contrapesos.
A tragédia ocorreu porque o cabo se rompeu na ligação com o bonde que iniciaria a descida, fazendo com que o veículo despencasse ladeira abaixo a cerca de 60 km/h.
Uma imagem apresentada no evento desta segunda-feira mostra uma cabine amarela, na cor tradicional da Carris, com grandes janelas e iluminação de LED no teto.
O desenho, no entanto, não é definitivo.
A empresa ainda vai definir as exigências do edital, e caberá à vencedora do concurso desenvolver o projeto final.
Se o cronograma for mantido, o concurso internacional será lançado no início de 2027, com previsão de que o novo "Elevador da Glória" esteja pronto e volte a transportar passageiros em 2029.
A mudança será significativa em relação ao equipamento histórico: as novas cabines, por exemplo, não poderão ser construídas em madeira, devido às normas europeias de segurança.
A Carris também pretende tornar o novo equipamento acessível a pessoas com mobilidade reduzida.
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), órgão encarregado de examinar as causas da tragédia, informou que o relatório final deve ser concluído próximo ao fim do primeiro trimestre de 2027.
O prazo foi ampliado devido à complexidade das perícias envolvidas.
O órgão recomendou que nenhum dos elevadores históricos de Lisboa atualmente interditados volte a funcionar sem uma avaliação independente dos sistemas de tração, da fixação dos cabos e dos freios.
Além do "Elevador da Glória", continuam paralisados os elevadores da Lavra e da Bica, também operados pela Carris.