Surto de Ebola no Congo mostra sinais de melhora, mas ONU pede cautela

Profissionais da saúde ajustam equipamentos antes de entrar em local com suspeita de ebola na República Democrática do Congo
ONU reconhece progresso no combate ao Ebola no leste do Congo, mas alerta que ainda é cedo para confirmar que o pico foi superado
Autoridades da ONU afirmaram nesta terça-feira que os esforços para conter o Ebola no leste do Congo estão começando a apresentar resultados, mas alertaram que a epidemia ainda é considerada "massiva" e que levará meses para ser controlada.
Julien Harneis, coordenador especial da ONU para o Ebola, falou em coletiva de imprensa em Genebra e reconheceu avanços pontuais, mas destacou a gravidade do cenário. "Continua sendo uma epidemia mortal e de grande magnitude. Há algumas áreas em que se observam avanços, mas, mesmo assim, em outras áreas, continuamos a ver um aumento no número de casos", declarou.
Este surto é o segundo mais letal já registrado na história, ficando atrás apenas da epidemia que assolou a África Ocidental entre 2014 e 2016. Até o momento, foram registrados 7.258 casos confirmados e 3.510 mortes em sete províncias do Congo, de acordo com dados do governo divulgados na terça-feira.
Ainda cedo para falar em pico
Questionado sobre relatos de que a epidemia teria atingido um ponto de inflexão, Olivier le Polain, da Organização Mundial da Saúde, foi cauteloso. "É muito cedo para afirmar com segurança que já passamos pelo pico", disse. Ele acrescentou: "Levará muitos e muitos meses para controlar totalmente este surto, e isso exigirá um apoio significativo."
No sábado, o ministro da Saúde do Congo, Samuel Roger Kamba, havia adotado um tom mais otimista ao apontar "sinais encorajadores" na luta contra o Ebola desde "o pico atingido em meados de agosto", afirmando que a transmissão "tem diminuído gradualmente".
Segundo ele, o número diário de novos casos caiu de aproximadamente 120 "no pico da epidemia" para cerca de 80, e 10 das 62 zonas de saúde afetadas não registravam novos casos há mais de 22 dias. "Para mim, esses números são um sinal positivo. Eles demonstram que os esforços realizados no terreno estão surtindo efeito e que nossa estratégia de resposta está começando a achatar a curva de transmissão", afirmou o ministro. Ele, porém, fez um alerta: "No entanto, devemos permanecer totalmente mobilizados. Embora esses resultados sejam encorajadores, eles não devem nos levar a baixar a guarda."
Melhora na província de Ituri
Falando na terça-feira na província de Ituri, onde os primeiros casos do surto foram registrados, Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo, relatou uma melhora considerável na região. "Aqui em Ituri, os indicadores estão ficando verdes, enquanto antes estavam todos vermelhos. Não estamos dizendo que acabamos com a epidemia, mas estamos dizendo que as equipes de resposta... têm a situação sob controle", declarou, acrescentando que esperava que a epidemia estivesse "para trás" até o final do ano.
Apesar dos avanços relatados em algumas regiões, as autoridades internacionais reforçam que o combate ao Ebola no Congo ainda exige atenção e recursos por um longo período.