PGR fecha delação com empresário que operou pagamento para filme sobre Bolsonaro

Foto: Divulgação
Antonio Carlos Freixo Júnior detalhou repasses ao fundo Havengate ligado à produção do filme sobre Bolsonaro
A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou um acordo de colaboração premiada com Antonio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos e Participações, empresa utilizada para repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A informação foi publicada inicialmente pela coluna de Malu Gaspar, de O Globo.
Conhecido como Mineiro, Freixo Júnior apresentou aos investigadores detalhes sobre pagamentos realizados a pedido de Vorcaro, incluindo remessas ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos.
O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
Os investigadores apuram se todo o dinheiro repassado ao fundo foi de fato utilizado na produção de "Dark Horse" ou se uma parcela teria sido destinada a despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O acordo já foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se homologa a colaboração. Não há prazo definido para a análise.
O caso ganhou notoriedade após a divulgação de um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL) pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme, conforme revelado pelo site Intercept Brasil.
Segundo as apurações, Vorcaro teria pago aproximadamente R$ 61 milhões para viabilizar a produção, com o intermédio do publicitário Thiago Miranda.
"Dark Horse" retrata episódios marcantes da trajetória de Jair Bolsonaro, incluindo a facada que ele sofreu em 2018 durante a campanha eleitoral, além de sua vitória nas eleições presidenciais.
O ex-presidente é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido por viver Jesus Cristo no filme "A Paixão de Cristo".
A direção é do cineasta Cyrus Nowrasteh, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, participou da elaboração do roteiro.