Copom defende restrição monetária maior

Foto: Banco Central/Reprodução
Ata de setembro do Copom aponta que expectativas desancoradas exigem política monetária mais restritiva por mais tempo
O Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou, nesta terça-feira, 22, que as expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes de tempo. As conclusões foram divulgadas na ata da reunião de setembro do colegiado, publicada na manhã desta terça-feira. Segundo o documento, "a principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado".
O Copom destacou ainda que o custo do processo de desinflação sobre o nível de atividade econômica tende a ser mais elevado em cenários nos quais as expectativas se encontram desancoradas. "O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos e tem debatido as possíveis causas desse movimento das expectativas", registra o texto da ata. O Copom avalia que "perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária" são fatores que contribuirão para a reancoragem das expectativas, elemento considerado essencial para que a inflação convirja à meta com o menor custo possível para a economia. O documento aponta ainda que as leituras mais recentes indicam queda da inflação ao consumidor "tanto no índice cheio quanto na média das medidas subjacentes".
Segundo o Copom, "pelas duas métricas, o índice acumulado em 12 meses situa-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta". O comitê acrescenta que, nas divulgações mais recentes, "as variações de preços aos produtores aceleraram, tanto em bens intermediários quanto em bens de consumo", o que reforça a necessidade de vigilância contínua sobre o cenário inflacionário.