Falta de água há quase duas semanas afeta bairros da região Oeste de BH

Falta de água - Foto: Freepik
Moradores do Buritis e Havaí relatam desabastecimento desde 21 de agosto após rompimento de adutora no Nova Granada
Moradores de bairros da região Oeste de Belo Horizonte enfrentam problemas no abastecimento de água há quase duas semanas. Os primeiros relatos de desabastecimento surgiram em 21 de agosto, quando o fornecimento passou a ocorrer de forma intermitente. Desde então, períodos sem água nas torneiras se tornaram cada vez mais longos em bairros como Buritis e Havaí.
A situação se agravou a partir de segunda-feira (31/8), quando começaram as obras emergenciais para o remanejamento de uma adutora na rua Xapuri, no bairro Nova Granada. A intervenção foi necessária após o rompimento da tubulação registrado em 19 de agosto.
No Buritis, a falta de água alterou a rotina de moradores e condomínios. Prédios chegaram a permanecer cerca de dois dias sem abastecimento e, quando o fornecimento foi retomado, a quantidade de água não foi suficiente para recompor os reservatórios.
A escassez também obrigou condomínios a recorrerem a caminhões-pipa. Um veículo com capacidade para 10 mil litros chega a custar entre R$ 1.600 e R$ 1.700. Em um dos prédios afetados, o gasto com abastecimento emergencial já se aproximava de R$ 3 mil, valor superior à conta mensal de água do condomínio, que reúne 14 apartamentos.
A presença de idosos, crianças e pessoas que necessitam de cuidados especiais tornou o problema ainda mais delicado. Com os reservatórios operando no limite, moradores precisaram reduzir o consumo e priorizar atividades consideradas essenciais, como banho e alimentação.
Em outro condomínio da mesma região, o abastecimento regular não ocorre desde a noite de 21 de agosto. Mais de 15 caminhões-pipa já foram necessários para manter o prédio em funcionamento.
Para prolongar a duração da água armazenada, o fornecimento passou a ser interrompido em determinados horários. Em alguns apartamentos, principalmente nos andares mais altos, a baixa pressão também provoca situações em que a água chega a um ponto do imóvel, mas não a outros.
A falta de água também afetou tarefas domésticas. Moradores relatam períodos superiores a dez dias sem conseguir lavar roupas e dificuldades para manter uma rotina básica dentro de casa.
Demanda por caminhões-pipa aumenta 100%
A crise provocou uma forte alta na procura por caminhões-pipa na região. A demanda chegou a praticamente dobrar nos últimos dias, enquanto empresas do setor passaram a enfrentar dificuldades para atender todos os pedidos.
O tempo de espera para o carregamento dos veículos, que antes girava em torno de 20 minutos, passou a chegar a quatro ou cinco horas. Uma empresa com cinco caminhões precisou concentrar parte da frota no Buritis e na região da Nova Suíça para tentar atender a demanda.
Com os veículos ocupados quase exclusivamente com os bairros afetados, houve necessidade de buscar água em outras cidades para reforçar o abastecimento.
Mesmo com o aumento da procura, os preços foram mantidos em patamares semelhantes aos praticados antes da crise. Ainda assim, para os condomínios que dependem dos caminhões-pipa durante vários dias, o custo representa uma despesa adicional significativa.
No bairro Havaí, moradores também enfrentam problemas de abastecimento há quase duas semanas. Inicialmente, a água chegava de maneira intermitente, mas o fornecimento foi completamente interrompido a partir de 29 de agosto.
A situação levou famílias a comprar galões de água e buscar alternativas fora de casa para atividades básicas, como banho. Em alguns momentos, até a compra de água mineral nos supermercados da região se tornou mais difícil devido à procura elevada.
A contratação de caminhões-pipa também passou a ser mais complicada. Os valores chegaram à faixa de R$ 1.500 por veículo, enquanto a disponibilidade de empresas diminuiu diante do aumento da demanda.
Obra em adutora no Nova Granada
A crise no abastecimento da região Oeste está relacionada ao rompimento de uma adutora registrado em 19 de agosto, na rua Xapuri, no bairro Nova Granada.
A tubulação passava sob um imóvel construído sobre a área da rede. O rompimento provocou danos à estrutura e levou à interdição da residência pela Defesa Civil.
Após o incidente, foi definido um novo traçado para a adutora, com o objetivo de desviar a tubulação da estrutura predial e recompor a capacidade do sistema. A obra emergencial começou na segunda-feira (31/8).
Em boletim divulgado na quinta-feira (3/9), a previsão era de que os trabalhos fossem concluídos até sábado (5/9). A recuperação do abastecimento, no entanto, ocorre de forma gradual, principalmente nas áreas de maior altitude, onde oscilações de pressão podem dificultar a chegada da água.
Enquanto as obras avançam, o abastecimento emergencial segue sendo realizado por meio da injeção de água em redes e reservatórios da região do Buritis.
Também foram mobilizados 30 caminhões-pipa para rotas consideradas prioritárias, com atendimento a hospitais, unidades de saúde, creches e escolas.
Reclamações sobre falta de água aumentam
A crise também provocou aumento significativo no número de reclamações registradas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Entre 1º e 27 de agosto, foram contabilizadas 31 queixas sobre falta de água na região. Entre 28 de agosto e 2 de setembro, foram registradas outras 19 reclamações.
Com isso, a média diária passou de 1,15 para 3,17 registros, aumento de aproximadamente 176%.
Quando considerados também os registros realizados em pré-atendimento, o número passou de 38 para 54 no mesmo período. Nesse recorte, a média diária saltou de 1,41 para 9 reclamações, representando aumento de aproximadamente 539%.
A situação está sendo acompanhada por meio de fiscalizações nos bairros afetados, com verificações sobre as condições do abastecimento e o cumprimento das medidas previstas para a recuperação gradual do serviço.
Enquanto a intervenção na adutora não é concluída, moradores de bairros como Buritis, Havaí, Betânia e Nova Granada seguem enfrentando uma rotina marcada pela falta de água, necessidade de abastecimento emergencial e aumento dos custos para garantir o acesso ao serviço.