Contratados pelo Centro de Inteligência do Galo são importantes em classificação

Victor Hugo na partida contra o Palmeiras - Foto: Pedro Souza / Atlético
Renan Lodi, Victor Hugo e Fred foram analisados pelo CIGA e decidiram o clássico contra o Cruzeiro na Copa do Brasil
O Atlético Mineiro encontrou no mercado três contratações de alto custo-benefício para a temporada 2026: o lateral-esquerdo Renan Lodi, o meia Victor Hugo e o meio-campista Fred. Os três passaram pela análise do Centro de Inteligência do Galo (CIGA) antes de serem incorporados ao elenco, e tiveram participação direta na classificação do clube sobre o Cruzeiro nas quartas de final da Copa do Brasil. Renan Lodi marcou o gol do empate por 1 a 1 no Mineirão, no jogo de ida. Na volta, disputada na Arena MRV, Victor Hugo e Fred balançaram as redes na virada por 2 a 1, garantindo a vaga nas semifinais da competição.
O custo total para contratar os três jogadores chama atenção pela contenção. Renan Lodi chegou sem nenhum gasto com direitos econômicos, pois estava livre no mercado após rescindir contrato com o Al-Hilal, da Arábia Saudita. Victor Hugo vivia um momento de pouca evidência, emprestado pelo Flamengo ao Santos, e custou "apenas" 2 milhões de euros (R$ 11,8 milhões) ao Galo. Já Fred foi contratado junto ao Fenerbahçe, da Turquia, por 2,5 milhões de euros (R$ 14,8 milhões). O desejo do meio-campista de 33 anos de defender o clube de infância foi determinante para viabilizar a transferência.
O impacto de Fred foi imediato: com menos de um mês de Atlético, o camisa 7 deu uma assistência e marcou o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro que selou a classificação. O resultado rendeu ao clube mais R$ 9 milhões em premiação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No total, o Atlético já arrecadou R$ 18 milhões na Copa do Brasil, valor que pode crescer consideravelmente: o clube receberá pelo menos R$ 34 milhões caso chegue à final e pode alcançar R$ 78 milhões em premiações se conquistar o título. Com passagens pelo Manchester United, da Inglaterra, e duas Copas do Mundo disputadas pela Seleção Brasileira no currículo, Fred já é apontado como uma das principais contratações do futebol brasileiro em 2026. Para dimensionar o custo-benefício da operação, basta comparar com outras transferências de peso realizadas no Brasil nesta temporada: o Flamengo pagou 42 milhões de euros (R$ 260 milhões) por Lucas Paquetá, junto ao West Ham; o Cruzeiro desembolsou 27 milhões de euros (R$ 169 milhões) por Gerson, do Zenit; e o Palmeiras investiu 25 milhões de euros (R$ 155 milhões) em Jhon Arias, do Wolverhampton. Algumas dessas contratações custaram até 17 vezes mais que a aquisição de Fred pelo Galo.
Por trás dessas e das demais movimentações do Atlético no mercado está o CIGA, departamento que trabalha com evidências e dados para auxiliar a tomada de decisões operacionais do clube. A atuação do Centro de Inteligência vai além da compra e venda de jogadores: o departamento também participa de processos relacionados ao desenvolvimento dos atletas e à estratégia de jogo. Para isso, o CIGA utiliza 12 softwares que abrangem dados de eventos, vídeos, relatórios de scout, ferramentas de análise e edição de vídeo, informações contratuais e consultoria de tática individual. O trabalho inclui ainda o acompanhamento de partidas de atletas emprestados e de jogadores de destaque das categorias de base, além da construção de relacionamentos no mercado.
No projeto institucional "Por Dentro do Galo", realizado em março de 2025, o gerente de Mercado do CIGA, Rodrigo Weber, detalhou como funciona o processo de mapeamento de jogadores. "O mercado de jogadores é como se fosse um oceano, cada jogador é um peixe. Nosso oceano tem mais de 50 mil jogadores na base de dados. Todos esses jogadores a gente avalia através de vídeo e dados.
A análise aprofundada é o segundo filtro, o que seria a nossa piscina", explicou Rodrigo Weber. Após essa etapa, o universo de candidatos é reduzido progressivamente até chegar a uma lista restrita de potenciais reforços. "O próximo filtro, que é o shortlist, seria uma banheira. Nesse processo, há a observação in loco, checagem de contexto, histórico de lesões (protocolo elaborado pelo nosso DM) e a viabilidade financeira. A última etapa da nossa participação na contratação é apresentar o projeto do Atlético para os jogadores", afirmou Rodrigo Weber. A viabilidade financeira da operação — considerando tanto o valor dos direitos econômicos quanto os custos do contrato — é um dos filtros fundamentais do CIGA. O dinheiro, entretanto, não é o único fator levado em conta.
O projeto esportivo apresentado pelo clube também pode ser decisivo para convencer um jogador a escolher o Atlético mesmo diante de propostas de outros times do Campeonato Brasileiro, como foi o caso do zagueiro Lyanco. Paulinho, que estava em fim de contrato, Gustavo Scarpa, que desejava retornar ao futebol brasileiro, e Rodrigo Battaglia, recomendado pelo treinador, são outros exemplos de atletas que passaram pelo processo de análise do departamento antes de serem contratados.
No elenco de 2026, outros casos ilustram a atuação do departamento. Kevin Castaño, que disputou a Copa do Mundo de 2026 pela Colômbia e estava na reserva do River Plate, da Argentina, foi contratado por empréstimo em agosto e rapidamente conquistou espaço, tornando-se titular da equipe comandada pelo técnico Eduardo Domínguez. Outro destaque diretamente ligado ao trabalho de prospecção do CIGA é o volante Mamady Cissé. Natural de Conacri, na Guiné, o jovem de 19 anos chegou ao Atlético em 2025 como resultado do trabalho de observação do Centro de Inteligência. Depois de se destacar nas categorias de base e ganhar 10 kg de massa magra durante seu processo de desenvolvimento no clube, Cissé passou a ser tratado como uma das joias do elenco profissional e já desperta o interesse de equipes europeias. Todas as contratações realizadas pelo Atlético passam pela análise do CIGA. Isso não significa, porém, que os nomes sejam necessariamente identificados pelo departamento: dirigentes e integrantes da comissão técnica também podem indicar jogadores, que posteriormente são submetidos aos filtros e às avaliações do Centro de Inteligência.