Ceuta recebe € 115 mi da UE após crise migratória

A União Europeia destina 114,7 milhões de euros à Espanha para reforçar fronteiras e acolher migrantes em Ceuta após chegada em massa vinda do Marrocos.
A União Europeia concedeu, nesta quarta-feira (9), uma ajuda emergencial de 115 milhões de euros à Espanha para apoiar a gestão da cidade autônoma de Ceuta, após a chegada em massa de migrantes vindos do Marrocos no fim de julho. O pacote, que totaliza 114,7 milhões de euros (cerca de 680 milhões de reais), foi anunciado pela Comissão Europeia como resposta à crise humanitária que se instalou na região. Os recursos serão destinados, principalmente, ao reforço da vigilância das fronteiras, à aquisição de equipamentos como câmeras térmicas e à mobilização de pessoal adicional, conforme informou Bruxelas.
Além disso, o pacote também tem como objetivo apoiar o retorno de pessoas em situação irregular em Ceuta e ampliar a capacidade de acolhimento de menores desacompanhados na cidade autônoma espanhola. Mais de 70 mil migrantes entraram em Ceuta a pé ou a nado nos dias 30 e 31 de julho. A cidade é, ao lado do território espanhol de Melilla, uma das duas únicas fronteiras terrestres entre a Europa e a África. A chegada em massa deixou dezenas de mortos e desaparecidos, configurando uma das maiores crises migratórias recentes na região. A maioria dos migrantes retornou pouco depois, mas vários milhares permanecem na cidade. O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez estima que cerca de 5 mil pessoas ainda estejam em Ceuta, enquanto as autoridades locais apontam para um número de pelo menos 10 mil. Muitos deles dormem nas ruas e praias da cidade.
Juan Jesús Vivas, presidente da cidade autônoma de Ceuta, havia pedido ajuda à União Europeia na terça-feira. Vivas, integrante do Partido Popular (direita), também acusou o Marrocos de estar por trás da chegada em massa de migrantes, "por ação ou omissão". O socialista Pedro Sánchez, por sua vez, afirmou que nenhum serviço havia "fornecido ao governo espanhol provas sólidas de que o Marrocos tivesse planejado ou organizado" a chegada dos migrantes. As dúvidas sobre o papel do Marrocos na crise, no entanto, aumentaram na semana passada após o vazamento de um relatório policial que aponta a "permissividade" das forças de segurança marroquinas durante os eventos. Com base principalmente nesse documento, a Justiça espanhola abriu, na segunda-feira, uma investigação formal sobre a crise em Ceuta.