Sanções dos EUA agravam crise energética e mortalidade em Cuba

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Ministro cubano aponta prejuízo recorde de mais de 8 bilhões de dólares causado pelo embargo americano entre 2025 e 2026
Um relatório apresentado pelo ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, apontou que o embargo dos Estados Unidos causou um prejuízo superior a 8 bilhões de dólares entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O valor representa um aumento de 7% em relação ao ano anterior e evidencia o aprofundamento das consequências econômicas das sanções americanas sobre a ilha.
Ao apresentar o documento à imprensa, Bruno Rodríguez destacou que o número divulgado "não inclui os danos causados pelo bloqueio energético" imposto por Washington nos últimos sete meses, nem as "sanções secundárias" aplicadas desde maio contra entidades cubanas. Segundo o chanceler, o impacto real sobre a população vai muito além dos dados financeiros registrados.
Desde janeiro, o governo Trump passou a ameaçar com sanções os países que fornecem combustível a Cuba, intensificando a pressão sobre uma economia já fragilizada pelas restrições americanas em vigor desde 1962. Como consequência direta dessa política, apenas um petroleiro russo atracou na ilha desde o início do ano.
No início de maio, Washington também implementou um regime de "sanções secundárias" contra empresas estrangeiras que comercializam com Cuba. A medida provocou a saída de inúmeras companhias da ilha, principalmente dos setores de turismo e mineração, duas das principais fontes de renda para o país de 9,4 milhões de habitantes.
Bruno Rodríguez foi enfático ao caracterizar os efeitos do embargo sobre a vida cotidiana dos cubanos. "O bloqueio não pune um governo; pune o cotidiano de um povo em todos os seus aspectos", afirmou o chanceler. Ele denunciou que a "agressividade" das sanções impostas por Washington agravou a crise energética que afeta Cuba, onde os apagões podem durar mais de 60 horas consecutivas.
As restrições ao fornecimento de combustível e a pressão sobre as empresas de transporte marítimo, segundo Rodríguez, dificultam a chegada de recursos à ilha e comprometem serviços essenciais como abastecimento de água, transporte e saúde.
Como exemplo da gravidade da situação, o ministro citou cirurgias realizadas com o auxílio de lâmpadas recarregáveis e lanternas de celulares da própria equipe médica. O chanceler também mencionou o aumento da mortalidade infantil como indicador da deterioração das condições no país. O índice passou de 4 mortes a cada 1.000 nascidos vivos em 2018 para 9,9 em 2025.
Apesar do cenário crítico, Bruno Rodríguez descartou a possibilidade de uma emergência humanitária. "Não haverá uma crise humanitária em Cuba", declarou, apelando à solidariedade entre os habitantes da ilha.