BRB tem rombo potencial de R$ 11,4 biem operações realizadas com o Master

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Relatório do Banco Central aponta perdas do BRB com o Master acima do valor considerado pelo governo do Distrito Federal
Um relatório do Banco Central datado de dezembro do ano passado aponta uma perda potencial de R$ 11,4 bilhões do BRB (Banco de Brasília) nas operações realizadas com o Banco Master. O valor supera os R$ 8,8 bilhões que vinham sendo considerados pelo governo do Distrito Federal nas discussões sobre o socorro à instituição financeira. A gestão Celina Leão (PP) busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para realizar um aporte na estatal e cobrir o rombo deixado pelas transações com o banco de Daniel Vorcaro.
O BRB adquiriu R$ 33,9 bilhões em ativos do Master e de empresas ligadas, incluindo carteiras de consignado Credcesta, créditos do Will Bank e empréstimos a empresas. Em dezembro, o BC determinou que o banco reconhecesse perdas de quase R$ 5 bilhões e reavaliasse outros R$ 8,7 bilhões em fundos, empréstimos e títulos. Como parte da perda já reconhecida está dentro desses fundos, os dois valores não se somam integralmente. O valor inicial divulgado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, de R$ 12 bilhões em compra de carteiras, representa apenas uma parte dos R$ 33,9 bilhões que o BRB adquiriu enquanto o Master atravessava uma crise de liquidez. Do total, R$ 15,7 bilhões em carteiras foram devolvidas ao Master por problemas como créditos inexistentes. Em vez de receber o dinheiro de volta, o BRB aceitou uma substituição por ativos do próprio Master, como cotas de fundos, empréstimos e títulos imobiliários. Os números revelam que o processo de substituição não foi suficiente para evitar um prejuízo bilionário, que persiste até o momento.
O banco não divulgou o resultado da reavaliação dos fundos determinada pelo BC, o que permitiria estimar com mais precisão o tamanho do prejuízo. Procurado, o BRB afirmou que "as operações mencionadas fazem parte do conjunto de transações relacionadas ao ecossistema do Banco Master que vêm sendo objeto de análise, conciliação e reavaliação pelo Banco e pelos órgãos competentes".
Dos R$ 11,4 bilhões em perdas potenciais identificadas pelo BC, R$ 2,06 bilhões são provenientes da carteira de crédito consignado Credcesta, originada pela Tirreno — empresa apontada pela PF (Polícia Federal) como fachada que produzia documentos falsos. Outros R$ 580 milhões correspondem a créditos inexistentes ou com problemas de origem distintos da fraude da Tirreno. Somando esses dois itens, o BC determinou que o BRB provisionasse R$ 2,6 bilhões integralmente, ou seja, tratasse o valor como perdido. Há ainda R$ 3,5 bilhões em empréstimos a empresas e títulos imobiliários repassados ao BRB pelo Master. Parte desses valores só seria paga no vencimento, com carências longas, e vários prazos já tinham sido prorrogados. Entre os devedores estão uma concessionária de cemitérios de São Paulo e incorporadoras de resorts no Nordeste. O BC determinou a classificação desses ativos como problemáticos, caso o BRB não comprovasse a capacidade de pagamento dos devedores. Os R$ 5,2 bilhões restantes correspondem a cotas de fundos de investimento que o BRB recebeu do Master.
Segundo o BC, esses fundos não contavam com auditoria independente, tinham baixa liquidez e possíveis "passivos ocultos". O regulador determinou a reavaliação dessas cotas pelo valor de mercado e constatou que o BRB não dispunha de procedimentos consistentes para mensurar quanto elas valiam. Em resposta ao UOL, o BRB declarou que "parte das substituições de ativos realizadas em 2025 envolveu cotas de fundos de investimento e instrumentos financeiros associados às operações". Em relação aos contratos de swap, o banco "esclarece que todas as medidas cabíveis para preservação de direitos e recuperação de eventuais créditos estão sendo adotadas e acompanhadas nas esferas administrativa, regulatória e judicial".
O BRB acrescentou ainda que "quanto aos impactos contábeis e de capital, o BRB vem cumprindo as determinações dos órgãos reguladores e realizando os ajustes, provisões e reavaliações exigidos pela regulamentação aplicável". Em agosto deste ano, uma perícia da PF concluiu que houve gestão fraudulenta nas compras realizadas pelo BRB. Segundo o laudo, a diretoria do banco aprovou 25 operações com o Master, que somaram R$ 17,5 bilhões. A perícia também indica que, no fim de 2025, o BRB ainda mantinha R$ 20,8 bilhões em carteiras compradas ligadas ao Master, o equivalente a 76% de todas as carteiras adquiridas pela instituição. O BRB não publica dados financeiros desde junho de 2025 e tampouco divulgou o balanço do ano passado. Em junho deste ano, o presidente do banco, Nelson de Souza, estimou as perdas com o Master em R$ 8,8 bilhões. Para cobrir o prejuízo, o BRB negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que ainda não foi liberado, além de tentar aprovar um aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões.