Reajuste do Bolsa Família divide opinião entre candidatos

Foto: Agência Brasil
Reajuste de 15,04% no Bolsa Família gera embate entre oposição, que acusa uso eleitoral, e aliados, que defendem a legalidade da medida
O reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 17 dias do primeiro turno das eleições, gerou reações opostas entre candidatos à Presidência e parlamentares. Enquanto adversários acusam o Palácio do Planalto de usar o programa social com fins eleitorais, aliados do governo sustentam que a medida apenas repõe as perdas inflacionárias e está prevista em lei. Com o reajuste, o piso do benefício sobe de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio passa de R$ 675 para R$ 777. O Ministério do Planejamento e Orçamento esclareceu que a correção corresponde à inflação acumulada de 15,04%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sem qualquer ganho real para os beneficiários.
O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) classificou o anúncio como eleitoreiro em entrevista ao SBT: "Eu vejo que esse anúncio hoje é um anúncio totalmente eleitoreiro, numa véspera de campanha. (...) Por que o presidente não esperou mais 18 dias para anunciar isso? Porque ele está querendo ter lucro." O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, também atacou o reajuste, considerando o valor insuficiente e com objetivo de influenciar eleitores: "Essa merreca, não tem vergonha na cara não, Lula? Tá achando que vai comprar o voto do pobre dando mais R$ 90 por mês? (...) Vou manter esse reajuste, só que vou fazer muito mais do que isso."
O empresário e candidato Renan Santos foi além e acusou o governo de ultrapassar os limites da legislação eleitoral: "Ele conseguiu cruzar o limite do crime. Está, no meio da eleição, aumentando o Bolsa Família para comprar a consciência das pessoas. Alguém vai pagar essa conta, e quem vai pagar essa conta é você." Pelas redes sociais, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil) também se manifestou contra a medida: "Ninguém é contra apoiar quem mais precisa, mas aprovar R$ 5,8 bilhões de reajuste a 17 dias da eleição escancara o uso eleitoreiro do programa. É um desgoverno que rifa o futuro do país."
Em contrapartida, os deputados federais Alencar Santana (PT-SP) e André Janones (Avante-MG) defenderam a medida, afirmando que o reajuste do Bolsa Família não tem relação com o calendário eleitoral, mas com o compromisso do governo com a população de baixa renda. Para os parlamentares, a oposição critica o aumento por ser contrária às políticas sociais. Eles lembraram que Lula criou o Bolsa Família e outras iniciativas de combate à pobreza, como o Minha Casa, Minha Vida e o Pé-de-Meia. Os deputados também rebateram críticas de que o reajuste seria temporário, garantindo que o novo valor do benefício será mantido.
O governo federal reforça que o reajuste apenas recompõe a inflação acumulada desde a criação do novo Bolsa Família e que a legislação eleitoral permite esse tipo de correção durante o período de campanha, desde que não haja aumento real do benefício. Os novos valores começarão a ser pagos em outubro. Segundo o Ministério do Planejamento, o impacto fiscal da medida será de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano e de R$ 22 bilhões em 2027. O Executivo informou que realizará ajustes no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para acomodar a despesa. O reajuste do Bolsa Família segue no centro do debate político, com adversários do governo insistindo no caráter eleitoral da medida e aliados defendendo sua legalidade e necessidade social, enquanto os novos valores se preparam para entrar em vigor no próximo mês.