Escritório da esposa de Moraes assessorava Banco Master em inquéritos da PF

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Contrato do escritório Barci de Moraes com o Banco Master incluía consultoria em inquéritos da PF por R$ 3 milhões mensais
O contrato firmado entre o escritório de advocacia Barci de Moraes e o Banco Master previa, entre seus objetos, consultoria em inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF). O acordo, com valor mensal líquido de R$ 3 milhões, vigorou entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, e envolvia o escritório da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
O documento contratual destacava a polícia judiciária como um dos cinco núcleos de atuação do escritório. A função era descrita como "consultoria estratégica e jurídica em procedimentos ou inquéritos policiais nas polícias federal e civis".
O escritório Barci de Moraes não quis comentar sobre o que seria essa consultoria e se não havia conflito de interesses diante do cargo ocupado pelo ministro. A reportagem também procurou Alexandre de Moraes e aguarda retorno, comprometendo-se a atualizar a matéria assim que houver resposta.
Um relatório da PF, encomendado pelo ministro André Mendonça para identificar "integrantes da suposta rede de influência e monitoramento" do banqueiro Daniel Vorcaro, aponta dúvidas, consultas e orientações entre o empresário e Moraes a respeito de investigação já em curso para apurar suposta fraude de R$ 12,2 bilhões.
Segundo o relatório, em 15 de novembro de 2025, a dois dias de ser preso, Vorcaro teria perguntado a Moraes se "Paulo" ou "Andrei" — nomes atribuídos pelo documento ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — não poderiam ajudá-lo.
"Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?", questionou o banqueiro.
No dia seguinte, Vorcaro teria insistido e pedido a Moraes que tentasse, "se possível", sensibilizar Andrei Rodrigues. "Se Andrei conseguir atrasar para outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível", avisou.
O banqueiro já teria feito apelo semelhante em 30 de outubro de 2025. Após relatar que havia conseguido R$ 800 milhões para dar fôlego ao Master, teria ressaltado que "é importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem".
"Aí, vai tudo pro saco", acrescentou.
Na mesma ocasião, Vorcaro teria enviado a Moraes uma relação com quatro agentes da PF que, segundo ele, estariam indo ao Banco Central "alegando que farão algo em breve". A lista incluía o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali, e a delegada Janaína Palazzo.
O relatório da PF, cujo sigilo foi derrubado por Mendonça na terça-feira (1º/9), reúne dados brutos e informações localizadas no acervo probatório. A própria instituição ponderou que não foram realizadas "diligências tipicamente policiais destinadas à apuração de condutas que, em tese, possam configurar ilícitos penais".
Além da consultoria em inquéritos da PF, o contrato entre o escritório Barci de Moraes e o Master previa consultoria estratégica e jurídica em processos administrativos no Banco Central, na Receita Federal e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), bem como a implantação, o acompanhamento e o aprimoramento do programa de integridade do banco.