Banco Central aponta R$ 5,6 bi esquecidos

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Banco Central revela que recursos não resgatados em instituições financeiras cresceram de R$ 5,1 bi para R$ 5,6 bi em julho
O Banco Central divulgou nesta terça-feira (8/9) que o total de recursos "esquecidos" em instituições financeiras chegou a R$ 5,6 bilhões, de acordo com dados referentes ao mês de julho. O valor representa um crescimento em relação ao mês anterior: os dados de junho, divulgados em agosto, apontavam um saldo de R$ 5,1 bilhões disponíveis para resgate. Segundo a autoridade monetária, R$ 4,24 bilhões estão disponíveis para 23,6 milhões de clientes pessoas físicas, enquanto R$ 1,4 bilhão pode ser retirado por 2,2 milhões de empresas. Até julho, o Banco Central informou que já foram devolvidos R$ 16,1 bilhões em recursos que estavam parados em bancos — dos quais R$ 11,9 bilhões foram destinados a pessoas físicas e R$ 4,2 bilhões, a pessoas jurídicas.
A maior parte dos valores disponíveis é de até R$ 10, representando 69,45% do total, enquanto os valores acima de R$ 1 mil correspondem à menor fatia, de apenas 2,22%. Os bancos são os maiores detentores dos recursos esquecidos, seguidos por consórcios, cooperativas e instituições de pagamentos. Desde 27 de maio de 2025, o Banco Central passou a permitir a habilitação de uma solicitação automática de resgate dos valores a receber. A adesão ao novo serviço é facultativa, e todas as demais funcionalidades do sistema permanecem iguais.
O programa Novo Desenrola Brasil, lançado em 4 de maio com o objetivo de reduzir o endividamento recorde da população, passou a utilizar parte dos recursos financeiros não resgatados — o popular "dinheiro esquecido" nos bancos — para bancar a garantia do refinanciamento de dívidas. Anteriormente, o Ministério da Fazenda havia informado que não havia prazo para os clientes retirarem os recursos das instituições financeiras, mas com o lançamento do Desenrola 2.0, essa situação mudou. O uso do "dinheiro esquecido" para garantir descontos nas dívidas ocorre por meio da transferência de parte desse valor ao Fundo Garantidor de Operações (FGO). O governo federal estabeleceu, por meio de portaria, que o saldo informado pelas instituições financeiras ao Banco Central até 31 de dezembro de 2024 seria transferido ao FGO.
A portaria, no entanto, ressalvou que 10% do montante serão reservados para atender a eventuais demandas de devolução de valores. O Ministério da Fazenda informou, no dia 27 de maio, que as instituições financeiras já haviam transferido R$ 5,7 bilhões em recursos não resgatados por clientes ao Fundo Garantidor de Operações. O cenário reforça a importância de os brasileiros verificarem se possuem valores a receber junto ao sistema do Banco Central.