Chanceler do Irã viaja à China em meio à guerra com EUA e Israel

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi - Crédito: Arun Sankar
Chanceler iraniano se reúne com Wang Yi em Pequim; visita ocorre antes de encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington
O chanceler iraniano Abbas Araghchi deve se reunir com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Pequim, em meio à guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O encontro, noticiado pela rede Al Jazeera, ocorre em um momento em que a China se posiciona como parte neutra no conflito, defendendo o fim das hostilidades.
Esta será a segunda visita de Araghchi à capital chinesa desde o início da guerra, no fim de fevereiro de 2026. A viagem acontece antes de um encontro previsto entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda em setembro, em Washington, D.C.
Entre os temas esperados na conversa entre os chanceleres está o programa nuclear iraniano. Na semana passada, os EUA e aliados europeus, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, levaram o caso do Irã ao Conselho de Segurança das Nações Unidas por meio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
China e Rússia se opõem à medida e podem vetar novas ações do Conselho contra o Irã. O encaminhamento é visto como simbólico, mas uma remessa semelhante realizada há 20 anos resultou em seis resoluções e sanções contra Teerã.
Durante uma cúpula do Brics em Nova Déli, Xi pediu aos países do bloco que atuem pela paz no Oriente Médio. O presidente chinês defendeu um plano baseado em convivência pacífica, respeito à soberania, direito internacional e equilíbrio entre desenvolvimento e segurança.
Autoridades e analistas iranianos divergem sobre a possibilidade de Pequim mediar negociações entre os governos do Irã e dos EUA. O ex-chanceler Mohammad Javad Zarif afirmou que as iniciativas de Xi oferecem "oportunidades para reduzir as tensões" e que a diplomacia multilateral é "o único caminho viável para a estabilidade".
Já Hamed Vafaei, professor de literatura chinesa da Universidade de Teerã e pesquisador sobre a China, disse que interpretar a fala de Xi como uma oferta de mediação é uma "interpretação livre".
No campo econômico, os EUA ampliam as sanções contra o Irã e miram refinarias, empresas e canais financeiros ligados à China. Pequim, que continua como a maior compradora de petróleo iraniano, afirma que vai proteger seus interesses apesar das restrições impostas pelo governo Trump.
O Wall Street Journal informou que o Irã obteve imagens de satélite de alta resolução de entidades chinesas antes de atacar uma base militar dos EUA na Jordânia, episódio que resultou na morte de três soldados americanos.
Trump, no entanto, minimizou o caso e afirmou que os chineses estão "basicamente fazendo o que nós fazemos".
A visita de Araghchi a Pequim reforça a importância da relação sino-iraniana em um momento de crescente pressão internacional sobre Teerã, com o encontro entre Xi e Trump no horizonte como pano de fundo diplomático central.