Mendonça tem prazo até hoje para se manifestar sobre acusações de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça - Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Prazo termina nesta segunda-feira (21) para André Mendonça se manifestar sobre acusações de Moraes ligadas ao Banco Master e fraudes no INSS
Termina nesta segunda-feira (21) o prazo para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre as acusações apresentadas por Alexandre de Moraes a respeito de sua atuação em investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS. A manifestação encerra a etapa de esclarecimentos determinada pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, devolvendo à Presidência da Corte a condução do procedimento em meio ao impasse que envolve os dois ministros. André Mendonça foi chamado a apresentar suas considerações sobre a forma, o conteúdo e a regularidade do procedimento, além de eventuais questões processuais. Ao determinar as diligências, Fachin destacou que a medida tinha caráter preliminar e não representava uma conclusão sobre a validade das acusações.
Moraes atribuiu a André Mendonça suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A acusação foi apresentada após Mendonça pedir que Moraes fosse investigado por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Como fundamento, Moraes utilizou um relatório interno da Polícia Federal classificado no próprio documento como sem valor probatório. O procedimento ganhou novo contorno após Fachin adiar, em 17 de setembro, o julgamento que estava previsto para esta quarta-feira (23) sobre a atuação de André Mendonça no caso Master.
A decisão ocorreu após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes na sessão do dia 15, na qual o ministro propôs que o processo envolvendo Moraes e o procedimento sobre Mendonça fossem reunidos para julgamento conjunto. Flávio Dino, Cristiano Zanin e o próprio Moraes apoiaram a proposta, mas Dino pediu vista antes do fim do julgamento. André Mendonça se dedicou no fim de semana a preparar sua defesa, que deve ser apresentada dentro do prazo regimental. A reportagem apurou que o magistrado adotará um tom moderado, focará em desconstruir as imputações feitas por Moraes e sustentará a "ilegalidade" do documento da PF.
O ministro pretende demonstrar que a peça apresentada pelo colega carece de qualquer validade jurídica e tem como objetivo desviar o foco da investigação necessária e urgente, que é a relação de Moraes com Vorcaro. Com o encerramento do prazo, a Presidência do STF retoma a condução do caso, em um cenário de tensão institucional entre os dois ministros da Corte.