Alckmin defende investigação sobre suposta ligação de Tarcísio com Banco Master

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Vice-presidente cobra apuração da suposta relação de Tarcísio de Freitas com o escândalo do Banco Master e defende que "ninguém está acima da lei"
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que a suposta relação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com o escândalo do Banco Master precisa ser esclarecida. Em entrevista ao Metrópoles publicada neste domingo (6/9), Alckmin defendeu a abertura de investigação sobre o caso.
"Não tem problema as pessoas fazerem doações para a campanha; a lei permite, pessoa física, não jurídica. Agora, o que não pode é vincular isso a benefícios de governo, então cabe a investigação", declarou.
O pano de fundo da declaração é a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que relatou ter doado R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio de Freitas e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Desse total, R$ 2 milhões teriam sido destinados ao governador paulista e R$ 3 milhões ao ex-presidente.
Segundo Vorcaro, a operação teria sido uma negociação de propina intermediada por Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio.
Naquele ano, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero, figurou como o maior doador dos dois políticos.
Ao comentar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), com ministros envolvidos no caso do banco, Alckmin classificou a situação como "muito triste".
O vice-presidente foi enfático ao cobrar responsabilização: "Acho que tem que ter o que a sociedade espera, a população brasileira espera. Espera que haja investigação e que a investigação traga a verdade. Traga a verdade e que tenha consequências. Ninguém está acima da lei".
Alckmin também reforçou a defesa da apuração independentemente de quem seja atingido.
"Quanto mais alto o cargo, mais alta a responsabilidade, maior o dever de cumprir a lei e de dar exemplo. Então, defendo que se apure, doa quem doer. Quero fazer aqui um destaque ao trabalho do governo do presidente Lula, que trabalha com espírito republicano. Ninguém da Polícia Federal é ameaçado. Nenhum diretor é substituído porque investigou A, B ou C. O Ministério Público tem total liberdade", acrescentou o vice-presidente.
Nessa linha, Alckmin fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que promoveu trocas na direção-geral e em cargos da Polícia Federal (PF) sob alegações oficiais de falta de interlocução e ajustes administrativos, enquanto investigações e o vídeo de uma reunião ministerial de 2022 apontaram motivações políticas e tentativas de proteção a familiares.
No campo eleitoral paulista, Alckmin avaliou que Fernando Haddad (PT) tem explorado as fragilidades do governador Tarcísio na disputa pelo governo de São Paulo.
"Tem o caso da Sabesp, que não é o fato de ter privatizado, mas você tem uma das melhores e maiores empresas do mundo, não tem um concorrente, é uma coisa estranha. Uma piora da segurança pública, do feminicídio, roubos de celular, da educação. Enfim, eu acho que ele [Haddad] está caminhando", destacou.
Sobre o ato convocado por Flávio Bolsonaro (PL) e apoiadores para o 7 de Setembro na avenida Paulista, em São Paulo, Alckmin condenou possíveis manifestações antidemocráticas.
"Que as pessoas façam campanha, isso é natural. Faz campanha, faz congresso, defende as suas teses, nenhum problema. O que não pode é no dia da Pátria, que é o 7 de Setembro, você ter saudade de golpe militar, isso não é possível", argumentou.
O vice-presidente ainda criticou quem faz campanha no exterior contra o Brasil: "O que diferencia mesmo na vida pública é quem tem apreço pela democracia e quem não tem apreço pela democracia. E não é possível você fazer campanha no exterior contra o país, torcendo contra o emprego no Brasil, a economia, as empresas; o tarifaço".
No cenário das pesquisas eleitorais, o último levantamento do Instituto Datafolha, divulgado na quinta-feira (3/9), aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro.
Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula aparece com 46% e Flávio com 44%. No levantamento anterior, divulgado em 21 de agosto, Lula liderava com 47% no segundo turno, contra 43% de Flávio Bolsonaro.