Mais de 300 pessoas são resgatadas após semanas em cativeiro na Nigéria

Bandeira oficial da Nigéria - Foto: Unsplash
Reféns sequestrados em Woro foram libertados desnutridos e feridos após semanas em floresta nigeriana sob poder de jihadistas
Um grupo de mais de 300 pessoas foi resgatado após semanas em cativeiro na Nigéria. As vítimas foram sequestradas em Woro, uma aldeia próxima à fronteira com o Benin, depois que jihadistas atacaram o local em fevereiro, matando mais de 165 pessoas.
Os reféns ficaram detidos em uma floresta do Parque Nacional do Lago Kainji até serem libertados na maior operação de resgate realizada em um único dia, segundo o governo nigeriano.
Ao todo, 308 pessoas foram libertadas e encaminhadas ao hospital da Universidade Estadual de Kwara, em Ilorin, onde recebem tratamento médico. O grupo chegou desnutrido e com ferimentos.
"Todos estão respondendo aos tratamentos", disse uma enfermeira enquanto segurava a pequena mão de uma criança de cerca de quatro anos. "Alguns precisam de sangue."
Umar Bio Salihu, chefe da aldeia de Woro, contou à AFP que as vítimas permaneceram em um acampamento junto com mais de 100 pessoas sequestradas em outras localidades.
Ele informou que 13 pessoas de Woro morreram durante o cativeiro e outras 13 continuam desaparecidas.
Condições no cativeiro
Durante o período de detenção, os reféns eram alimentados com tuwo, semelhante a um mingau espesso feito de painço, e com uma "sopa" preparada com água de rio e sal.
Quando tinham sorte, os sequestradores lhes davam cubos de tempero. Ocasionalmente, recebiam carne, possivelmente de gado roubado, segundo as próprias vítimas.
Aqueles que iam ao banheiro sem autorização dos guardas eram espancados, relatou a enfermeira Amira Salihu, de 25 anos, filha do chefe da aldeia de Woro, cujos dois irmãos morreram no ataque de fevereiro.
Ela falou sobre o cativeiro em um hotel sob vigilância policial onde permanecem vários dos sequestrados.
Amira contou que várias mulheres deram à luz durante o período de detenção. Com pouca visibilidade, iluminando o local com uma lanterna a pilha, ela ajudou nos partos usando apenas as mãos.
"Eles me emprestaram uma lâmina para cortar a placenta", disse à AFP.
O diretor médico do hospital, Ahmed Bola Abdulkadir, descreveu o estado das vítimas ao chegar: "Eles chegaram em condições bastante ruins (...) com desnutrição grave, muitas doenças de pele, alguns tinham fraturas, algumas mulheres haviam dado à luz."
Ele acrescentou que muitos podem precisar de atendimento por "trauma psicológico".
Crise de sequestros na Nigéria
O governo apresentou o resgate dos moradores de Woro como um grande êxito de sua campanha de segurança.
No entanto, o país continua enfrentando uma crise grave, já que os sequestros se tornaram tão frequentes que se transformaram em uma indústria bilionária, segundo a SBM Intelligence, consultoria com sede em Lagos.
Os sequestros representam uma importante fonte de renda para grupos criminosos, sobretudo jihadistas e quadrilhas que atuam no norte e no centro do país.
Uma das vítimas, Hajara, de aparência debilitada, expressou o alívio de ter sobrevivido:
"Graças a Deus conseguimos sair. Não desejo isso nem aos meus inimigos. Foi como voltar do inferno."
No hotel onde estão hospedadas, várias vítimas se reúnem em torno de mesas de plástico para comer.
"Fico feliz em vê-los assim", disse o chefe Salihu à AFP. Ele tem viajado entre Woro e Ilorin, a cerca de 20 quilômetros, para visitar as vítimas enquanto elas se recuperam sob os cuidados do governo na capital estadual.
Apesar da tragédia, Woro está retomando a vida e seu mercado está em plena atividade, segundo o morador Isah Mogaji.
"A comunidade agora está muito feliz, esperando receber seu povo", afirmou Salihu.