PF aponta dinheiro vivo para ex-assessor de senador em operação sobre INSS

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
PF aponta R$ 1 milhão em dinheiro vivo ligado a ex-assessor de Weverton Rocha em operação sobre fraudes no INSS
A Polícia Federal apontou, ao solicitar autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para deflagrar uma nova fase das investigações sobre um esquema bilionário de desvio de aposentadorias do INSS, a apreensão de R$ 1 milhão em dinheiro vivo ocorrida em maio de 2026. O valor seria destinado a um ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A operação desta terça-feira (4) tem como alvo principal o advogado Willer Tomaz, apontado como operador financeiro do senador, além de familiares do vice-líder do governo Lula no Senado.
Autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, esta fase da Operação Sem Desconto se baseia em informações extraídas do celular de Weverton Rocha. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se opôs à busca e apreensão autorizada pelo relator, defendendo a adoção de "medidas menos ostensivas", como quebras de sigilo. A apreensão do R$ 1 milhão é apontada pela PF como um elemento que confirma a hipótese de circulação de dinheiro "fora do sistema bancário formal", conforme trecho da decisão de Mendonça.
Segundo a PF, Weverton Rocha recebia altos valores em espécie de uma funcionária do escritório do advogado Willer Tomaz, que seria uma espécie de contadora. "Os controles de FAYLA registrariam, entre maio e julho de 2024, lançamentos e repasses em espécie de R$ 500.000,00, R$ 1.000.000,00, R$ 1.500.000,00 e outros valores, próximos a tratativas sobre aeronaves privadas, pilotos, hangares e deslocamentos entre Brasília e o Maranhão." No escritório de advocacia de Willer Tomaz, a PF apreendeu uma máquina com capacidade de contar até 1.200 notas de dinheiro por minuto, compatível com moedas como real, dólar e euro. Modelos semelhantes são encontrados à venda por cerca de R$ 12 mil, da marca Munbyn. Além disso, os policiais também encontraram dinheiro em espécie no local.
A análise do celular de Weverton Rocha apontou, segundo a PF, a utilização de dinheiro vivo entre os alvos da investigação, circulação de valores entre pessoas físicas e jurídicas, além de investimentos em imóveis, veículos, aeronaves, propriedades rurais e empresas de radiodifusão. "A apuração teria alcançado, ainda, movimentações potencialmente relacionadas a empresas contratadas por prefeituras maranhenses, pessoas jurídicas da construção civil, agentes políticos locais e contratos públicos municipais", destacou Mendonça. Weverton Rocha já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em dezembro do ano passado, em outra fase da operação.
Naquela ocasião, Mendonça apontou que o senador "teria se beneficiado dos valores ilícitos provenientes dos descontos associativos fraudulentos". À época, o senador afirmou que "recebeu com surpresa a busca na sua residência" e que "com serenidade se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão". Ao todo, a PF cumpre nesta terça-feira 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, com o objetivo de apurar suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes no INSS.
As investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras que teriam utilizado pessoas físicas e jurídicas, contas de terceiros e estruturas empresariais para ocultar a origem e a destinação dos recursos. De acordo com a PF, Willer Tomaz atuaria como "verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico" colocado à disposição de Weverton Rocha. Em nota, Willer Tomaz disse que as diligências desta terça-feira "decorrem exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público".
O comunicado acrescenta: "Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal. A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados", indicando ainda que o advogado está à disposição das autoridades. O escritório Willer Tomaz Advogados Associados, segundo o site oficial, prioriza "a prestação de serviços jurídicos, tanto no âmbito consultivo, quanto no contencioso, com soluções jurídicas". Willer é amigo pessoal do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Nesta fase da operação, Weverton Rocha não foi alvo direto, mas sim seus familiares.
A decisão que autorizou a operação menciona a esposa do parlamentar, Samya Rocha, e suas irmãs, Geyse Rocha e Shainess Kellmassen Rocha. Para Mendonça, a inclusão de Samya nas investigações "não se dá em razão do vínculo conjugal". O magistrado aponta sua suposta participação no esquema a partir do recebimento de valores ilícitos, sendo "destinatária de repasses expressivos" e participante de tratativas sobre imóveis, reformas e despesas do casal por meio da "Rocha Holding Patrimonial". Weverton Rocha é um dos vice-líderes do governo no Senado e um nome de confiança do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Seu nome foi um dos primeiros a surgir por suposto envolvimento nas fraudes dos aposentados, e ele chegou a admitir ter se reunido ao menos duas vezes com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".