Ex-diretor de presídio é condenado a 47 anos por crimes contra 7 policiais

Presídio de Ibirité, na Grande BH — Foto: Reprodução/TV Globo
Ex-diretor adjunto da Penitenciária de Ibirité é condenado a mais de 47 anos por crimes contra sete policiais penais
O ex-diretor adjunto da Penitenciária de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Valdeci Pereira Maciel, foi condenado pela Justiça por crimes de perseguição, violência psicológica contra a mulher, importunação sexual e assédio sexual praticados contra sete policiais penais que atuavam na unidade.
De acordo com a sentença, as vítimas relataram que Valdeci Pereira Maciel fazia piadas de cunho sexual e machista, beijava o rosto das servidoras sem consentimento e as perseguia no ambiente de trabalho quando elas rejeitavam suas investidas de caráter sexual.
O ex-diretor foi condenado em todas as acusações apresentadas contra ele. A pena total fixada pelo juiz Estêvão José Damazo, da 2ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Ibirité, soma 47 anos, 3 meses e 19 dias de reclusão, além de 15 anos, 7 meses e 15 dias de detenção. O regime inicial determinado é o fechado.
Apesar da condenação, Valdeci Pereira Maciel poderá recorrer em liberdade.
Multa e perda do cargo
Além das penas de prisão, a sentença determinou o pagamento de 2.645 dias-multa, no valor de R$ 300 cada, totalizando R$ 793,5 mil.
O juiz também determinou a perda do cargo público de policial penal de Valdeci Pereira Maciel.
A decisão estabeleceu ainda uma indenização mínima individual de 50 salários mínimos para cada uma das sete vítimas.
Além das reparações individuais, Valdeci Pereira Maciel foi condenado ao pagamento de R$ 200 mil por danos morais coletivos. O valor será destinado ao Fundo Estadual de Defesa de Direitos Difusos (Fundif), utilizado para financiar ações de reparação de danos a bens e interesses coletivos em Minas Gerais.
Diretor-geral foi absolvido
O então diretor-geral da unidade prisional, Pedro Ferrare Ferreira, também foi denunciado pelo Ministério Público por suposta omissão diante das condutas atribuídas a Valdeci Pereira Maciel.
Ferrare, no entanto, foi absolvido pela Justiça. Segundo a decisão, não foram apresentadas provas suficientes para sustentar a acusação contra ele.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que Valdeci Pereira Maciel foi desligado do cargo à época dos fatos.
Ainda segundo a pasta, o procedimento administrativo instaurado pelo Núcleo de Correição Administrativa (Nucad/Sejusp) permanece em tramitação.
A reportagem tentou contato com a defesa de Valdeci Pereira Maciel, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.