Ucrânia recebe apoio europeu e Rússia fala em "paz obstruída"

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Aliados europeus se reúnem em Kiev para reforçar defesa antiaérea da Ucrânia enquanto Moscou acusa o Reino Unido de impedir negociações de paz
A Ucrânia recebe nesta segunda-feira (24) o apoio de seus principais aliados europeus em uma reunião da "Coalizão de Voluntários", presidida por França, Reino Unido e Alemanha. O encontro ocorre em um momento de intensificação dos ataques russos, com Kiev pedindo com urgência sistemas de defesa antiaérea e maior pressão sobre Moscou. Em sua primeira viagem internacional como primeiro-ministro britânico, Andy Burnham desembarcou na capital ucraniana, assim como o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O presidente francês Emmanuel Macron participou das discussões por vídeo. A reunião acontece quatro anos e meio após o início da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022, em um cenário de guerra que se intensifica e com negociações de paz completamente estagnadas.
A União Europeia anunciou nesta segunda-feira um novo pacote de ajuda de € 6,1 bilhões (US$ 7,1 bilhões, R$ 36 bilhões) para a Ucrânia, com o objetivo de fortalecer sua defesa antiaérea e aumentar seus estoques de mísseis e munições. A "Coalizão de Voluntários", criada por iniciativa franco-britânica para reunir países dispostos a enviar forças de paz à Ucrânia em caso de cessar-fogo, tornou-se um fórum central de apoio aos ucranianos, especialmente diante das incertezas sobre o suporte dos Estados Unidos durante a presidência de Donald Trump.
Analistas esperavam que Burnham anunciasse em Kiev a autorização para que a empresa de defesa MBDA compartilhe informações confidenciais que permitam à Ucrânia produzir localmente o míssil de cruzeiro de longo alcance franco-britânico Scalp. O governo britânico confirmou no domingo que o líder trabalhista pretendia "anunciar que o governo deu a aprovação para que a empresa de defesa MBDA compartilhe informações sigilosas sobre os componentes britânicos do míssil de longo alcance SCALP". O míssil de cruzeiro é a versão francesa do Storm Shadow britânico, ambos baseados em tecnologia franco-britânica compartilhada. Macron, por sua vez, prometeu no sábado entregar a Kiev novos mísseis interceptadores.
Os mísseis balísticos lançados pela Rússia são extremamente rápidos e seguem uma trajetória parabólica em grande altitude, o que dificulta sua interceptação. As armas de fabricação ucraniana não são capazes de interceptá-los, fazendo com que Kiev dependa de sistemas avançados do exterior, especialmente os Patriot americanos. Zelensky declarou que recebeu 675 mísseis Patriot em 2023, contra 364 em 2025 e 264 em 2026. Os Estados Unidos enfrentam escassez desses mísseis devido à guerra contra o Irã e relutam em fornecer grandes quantidades à Ucrânia.
Em resposta aos bombardeios russos, a Ucrânia multiplicou os ataques contra infraestruturas logísticas na Rússia. Durante a noite, armazéns de uma plataforma de comércio eletrônico foram atingidos no sul do país, e a queda dos escombros causou a morte de duas crianças e feriu outras sete, segundo as autoridades locais. Nas últimas semanas, as forças russas lançaram contra Kiev ondas de mísseis balísticos que deixaram dezenas de mortos. O presidente russo Vladimir Putin assumiu no sábado a responsabilidade pela intensificação dos ataques contra o território ucraniano, afirmando que Kiev "abriu a caixa de Pandora" ao atacar a economia russa e que Moscou prevê como alvos, entre outras coisas, as exportações agrícolas ucranianas.
Ao mesmo tempo, Kiev acelerou sua campanha de ataques de longo alcance contra alvos do setor de energia e logística russos, incluindo refinarias de petróleo e centros de distribuição. Zelensky afirmou que Kiev tenta atacar as plataformas de lançamento dos mísseis balísticos russos e que a Rússia consegue produzir quase 100 mísseis balísticos por mês. As mortes de civis atingiram os níveis mais elevados desde os primeiros meses da invasão, segundo a ONU. Antes da reunião, Zelensky anunciou ainda um novo acordo de drones com a Noruega, o que, segundo ele, "reforça a cooperação entre nossos setores de defesa".
A Rússia reagiu com dureza ao apoio britânico e afirmou que o Reino Unido está "impedindo" a paz na Ucrânia ao fornecer a Kiev as informações necessárias para a produção dos mísseis Scalp, ameaçando destruir as instalações de fabricação do armamento. "O Reino Unido está jogando lenha na fogueira de forma metódica e regular, e tramando planos de maneira metódica e regular para impedir, inclusive, o mínimo avanço no processo de paz", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acrescentando que a Rússia atacará e "destruirá" as instalações que produzam o míssil.
Em resposta, Burnham prometeu "seguir apoiando a defesa da Ucrânia", apesar das "escandalosas ameaças russas" contra o Reino Unido. "Sei que vocês precisam de mais ajuda para proteger seu céu e seus civis", disse o britânico durante um discurso antes da reunião dos aliados ocidentais de Kiev. "A Rússia não deve ter qualquer dúvida sobre a nossa determinação", afirmou Burnham antes de chegar à capital ucraniana. "Não cederemos até que seja estabelecida uma paz justa e duradoura", acrescentou. Os esforços diplomáticos para encerrar o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial permanecem estagnados. A Rússia exige amplas concessões territoriais que a Ucrânia se recusa a aceitar, por considerar que isso apenas abriria caminho para novos ataques. Após os bombardeios, Zelensky fez um apelo aos aliados para que reforcem as defesas aéreas do país, enquanto o apoio europeu segue sendo a principal âncora de sustentação da resistência ucraniana.