Médico do Atlético detalha chances de Ruan Tressoldi jogar clássico

Foto: Reprodução
Rodrigo Lasmar, médico do Atlético, detalha atendimento a Tressoldi e fala sobre chances do zagueiro enfrentar o Cruzeiro na Copa do Brasil
A forte entrada do atacante Kaio Jorge no zagueiro Ruan Tressoldi se tornou um dos principais assuntos do futebol brasileiro após o primeiro duelo entre Cruzeiro e Atlético pelas quartas de final da Copa do Brasil. O lance gerou grande preocupação com o estado de saúde do defensor do Alvinegro, e nesta quinta-feira (27), o médico do clube, Rodrigo Lasmar, participou do programa Rádio Esportes, da Itatiaia, para detalhar a situação do atleta. Lasmar explicou como foi o atendimento inicial a Tressoldi, os métodos de avaliação utilizados em campo e revelou detalhes sobre o comportamento do zagueiro nos primeiros minutos após o choque.
O médico também foi questionado sobre as chances de o jogador estar disponível para o duelo de volta, marcado para terça-feira (1), na Arena MRV. "Primeiro, a imagem que temos no campo, não tem todos os detalhes e ângulos que a televisão mostra. A gente viu que a queda foi feia, mas não vimos que tinha virado o pescoço, que é uma imagem muito forte. Entramos em campo, avaliamos o jogador e o exame clínico foi normal. Ele não perdeu a consciência, não estava desorientado e estava consciente. Sabia onde estava. Ele não tinha sinais claros de concussão, as chamadas "bandeiras vermelhas".
Num primeiro momento, no exame normal, estava tudo bem, apesar da imagem assustadora. Pela regra, tínhamos três minutos para fazer as avaliações. Ali, não apresentava nada que nos gerasse preocupação", iniciou o médico. Lasmar detalhou ainda os procedimentos clínicos realizados diretamente no gramado para descartar lesões mais graves. "Temos vários testes. Primeiro tentamos detectar alguma suspeita de fratura. Apertamos alguns pontos para ver se o atleta sente dor, tanto no rosto, na face, nos ligamentos, na parte óssea... Depois vemos a amplitude da movimentação, o que também é muito importante. Analisamos a situação cognitiva do jogador, a orientação, se tem sinais de tontura, de vômito, espasmo muscular generalizado, ou se perdeu a consciência. O exame clínico inicial descartou qualquer tipo de lesão mais grave. A partir daquele momento, continuamos acompanhando o atleta, com um olho no jogo e o outro nele", completou.
O médico revelou que Tressoldi resistiu à substituição, pois acreditava ter condições de permanecer em campo. No entanto, precisou ser convencido pela equipe médica. "Pode acontecer que os sinais apareçam eventualmente depois de um tempo. Quando você tem a identificação de qualquer sinal tardio, aí sim é o que determina que o atleta precisa ser removido. Antes dele sentar, ele colocou a mão na coxa, eu levantei do banco de reservas e avisei o Eduardo Domínguez que ele teria que sair. A adrenalina é muito grande e, até pelo desconhecimento da medicina, o atleta quer continuar. Falei que ele não iria continuar, por determinação médica, e ele dizendo que estava bem. Ele ficou chateado, saiu contrariado, mas depois de alguns minutos entendeu do que se tratava. A decisão médica e ser firme é bem importante", explicou Lasmar.
Sobre os exames realizados após o jogo e o protocolo de recuperação, Lasmar foi detalhado. "Logo após esse momento, ele fez exames de imagem no hospital. Fez exames de crânio, de coluna cervical e foi constatado que ele não teve nenhuma lesão naquele momento. Ele teve alta no mesmo dia, mas começou a ser observado em etapas. Num primeiro momento, ele faz um repouso, depois faz atividade na academia. Evoluindo bem, sem nenhuma queixa, parte para corrida, depois algo com mais intensidade, com mudança de direção, depois para trabalho com bola. Na última etapa, faz treinamentos de contato e com situações de jogo. Não existe uma definição clara de quantos dias vai demorar. Depende da resposta diária. Existe uma expectativa de uma evolução favorável para a liberação para o jogo de terça-feira, mas dependemos destas respostas", finalizou. A presença de Tressoldi no clássico de volta, portanto, ainda depende da evolução diária do zagueiro dentro do protocolo médico estabelecido pelo departamento do Atlético.