Simões defende gestão e trata morte em presídios como ponto secundário

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Governador de Minas defende relação com forças de segurança e afirma que condições dos detentos não são prioridade de sua gestão
Na sabatina promovida pela Itatiaia com candidatos ao Governo de Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) respondeu às críticas direcionadas à sua gestão pelas forças de segurança e comentou sobre a criminalidade no estado. O chefe do Executivo minimizou as queixas dos servidores das polícias estaduais e declarou que a proteção dos presos não figura entre as prioridades de seu governo.
O governo de Romeu Zema (Novo), do qual Simões foi vice, acumulou dois mandatos marcados por tensões com as forças de segurança, incluindo protestos nas ruas por melhores condições de trabalho e recomposição salarial. Ainda assim, Simões afirmou que o cenário pré-eleitoral deste ano é mais tranquilo em comparação aos últimos seis períodos eleitorais, e defendeu que atritos "fazem parte da relação do governo com os sindicatos".
"Dizer que eu estou em um momento ruim com as forças de segurança é ignorar como é todo ano eleitoral em Minas Gerais. Nós não tivemos paralisação da sua segurança esse ano. A minha relação com as forças é muito tranquila, aberta. Eu vou, eu converso, eu trato diretamente com o oficialato, diretamente com os sindicatos, nunca me furtei a sentar com eles. [...] Durante o nosso governo, eles tiveram reajuste inflacionário quatro vezes, tiveram uma vez, quando não teve reajuste, a criação de uma verba que triplicou o auxílio fardamento. Depois, no outro ano que não teve reajuste, a gente criou o auxílio alimentação de R$ 1.000 por mês para as forças de segurança e esse ano mesmo com reajuste, nós ainda demos mais R$ 500 por mês para cada um dos membros das forças de segurança. Então as forças de segurança poderiam ganhar mais? Sim. Eu gostaria que eles ganhassem mais? Especialmente eles e os professores, sim, mas não há recurso e nós não vamos prometer o que a gente não consegue cumprir. Eu acho que as forças de segurança foram compreendendo isso", afirmou.
Quanto às condições de trabalho dos policiais, Simões reconheceu que a estrutura física é uma preocupação maior no caso da Polícia Civil, sobretudo no que diz respeito à reforma das unidades da corporação. O governador também destacou a renovação completa das viaturas e a aquisição de sete mil armas para os agentes como avanços da gestão.
Simões, candidato à reeleição, foi ainda questionado sobre a criminalidade no estado. Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que o número de mortes em presídios triplicou entre 2021 e 2025. Diante dos números, o governador classificou a situação como um ponto secundário nas atenções de seu governo.
"Me preocupo com o presídio para que meu policial penal tenha boas condições de trabalho. Minha preocupação com o preso é secundária, não é que ela não existe, mas ela é secundária. Conforto de preso não faz parte das prioridades do meu governo, meu governo tem preocupação com segurança de quem trabalha. Então eu quero construir 20 novos presídios, mas não estou preocupado com o fato de o preso estar reclamando, se ele não queria ficar lá nessas condições, bastava ele não ter praticado o crime. Ninguém está lá inocentemente. [...] Idealmente sim (o estado teria preocupação com as condições dos detentos), mas idealmente os meus alunos deveriam ter escolas melhores e hospitais melhores, estradas melhores. Depois que eu resolver esses problemas todos, eu penso se a cama do preso está confortável o suficiente para ele. Essa não é a prioridade do meu governo", declarou Simões.
As declarações do governador evidenciam as escolhas de prioridade de sua gestão diante de um cenário de recursos limitados, colocando a segurança dos trabalhadores do sistema penitenciário acima das condições dos detentos, enquanto busca defender sua relação com as forças de segurança do estado às vésperas das eleições.