Presidente do México critica retorno de governador acusado de ligação com cartel

Foto: Flickr/ Claudia Sheinbaum
Presidente mexicana repudia volta do governador de Sinaloa, acusado pelos EUA de vínculos com o narcotráfico
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou neste sábado (22) o retorno ao cargo do governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, acusado pelos Estados Unidos de supostos vínculos com um cartel do narcotráfico. Sem citar o político diretamente, a presidente deixou clara sua posição ao afirmar que nenhum interesse pessoal pode se sobrepor aos interesses do povo e do México.
Na sexta-feira, Rocha Moya anunciou pelo X que reassumiria o governo de Sinaloa, cargo que havia deixado em maio para ser investigado pela Justiça mexicana. O governador é alvo de um tribunal americano por supostos vínculos com um cartel do tráfico, tornando-se um dos dez políticos mexicanos procurados pela Justiça dos Estados Unidos — a maioria deles ligada ao estado de Sinaloa.
Sheinbaum publicou no X que "nunca nenhum interesse pessoal pode estar acima dos interesses do povo" e do México. "O poder sem princípios se torna arrogância; o poder sem limites, abuso", acrescentou, sem mencionar nomes.
Ao ser questionada por jornalistas sobre Rocha Moya neste sábado, a presidente fez alusão direta à sua mensagem na rede social. Por causa de uma gripe forte, Sheinbaum havia cancelado sua coletiva de imprensa matinal na sexta-feira, mas reapareceu neste sábado usando máscara.
Ela afirmou ter sido surpreendida pela decisão do governador. "Soube por seu tuíte", disse ela a jornalistas. "Acabo de publicar uma postagem no X, nada mais, é tudo o que trago".
Rocha Moya é um político próximo de Andrés Manuel López Obrador, antecessor de Sheinbaum e fundador do atual movimento de esquerda no poder. Apesar dessa proximidade, tanto o governo quanto o partido Morena, ao qual pertencem Sheinbaum e Rocha, se desvincularam da decisão do governador de retornar ao cargo.
Outros dirigentes governistas também se juntaram às críticas contra ele.
O episódio ocorre em um momento de pressão crescente dos Estados Unidos sobre o México no combate ao narcotráfico. O presidente americano, Donald Trump, utilizando ameaças de tarifas, exige que o México intensifique seus esforços na guerra contra o tráfico de drogas.
Trump afirma com frequência que o México é governado por políticos ligados ao narcotráfico e chegou a oferecer apoio militar a Sheinbaum, que rejeita qualquer forma de intervenção estrangeira.