Sequestro forjado em BH termina em prisão

Mulher de 40 anos usou dois chips para simular sequestro, exigiu R$ 14 mil da família e deixou filho de 1 ano em casa
Uma mulher de 40 anos foi presa em Belo Horizonte após forjar o próprio sequestro e exigir R$ 14 mil da família, deixando em casa um filho de aproximadamente 1 ano que ainda era amamentado. De acordo com o delegado Murilo Ribeiro, titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), ela alegou que precisava do dinheiro para quitar dívidas com terceiros, apontados inicialmente como agiotas. O caso teve início no domingo (23/8), quando o marido e as irmãs da mulher procuraram a Polícia Civil após receberem mensagens de pedido de socorro. Logo depois, passaram a receber contatos de supostos sequestradores, que afirmavam estar com a mulher e exigiam R$ 14 mil para libertá-la. Segundo Ribeiro, a investigada utilizou dois chips no mesmo aparelho celular.
Por um número, pedia ajuda aos familiares; pelo outro, se passava por um sequestrador e fazia as ameaças. Fotos e vídeos também foram enviados para reforçar a falsa história. A investigação da DAS, com apoio do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), percorreu ao menos três municípios e identificou inconsistências na versão apresentada. Câmeras de segurança registraram a mulher fazendo compras enquanto dizia estar sequestrada. Segundo o delegado, ela teria ido a Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas, onde indicou uma conta para o recebimento do dinheiro. Na noite de segunda-feira (24/8), a mulher foi localizada sozinha em um hotel na região Central de BH. Segundo Ribeiro, ela fazia novos contatos com familiares para tentar obter o pagamento quando foi abordada pelos policiais. "Você está sequestrada? Tem mais alguém aqui?", questionaram os agentes. A resposta foi negativa. Em seguida, ao ser perguntada sobre quem enviava as mensagens aos familiares, ela respondeu: "Sou eu".
Ainda de acordo com o delegado, o filho da mulher, de aproximadamente 1 ano, ficou aos cuidados do pai durante toda a farsa. "Essa mãe ficou dois dias fora de casa simulando estar sequestrada enquanto fazia compras, enquanto passeava, segundo as suas próprias declarações. E essa criança estava sem amamentar", explicou Ribeiro. Após a prisão, a Polícia Civil autorizou que a criança fosse levada à delegacia para ser amamentada e receber os cuidados da mãe antes de ela ser encaminhada ao sistema prisional.
As ameaças feitas durante a farsa aumentaram o temor dos familiares. Segundo Ribeiro, eles receberam mensagens indicando que, caso o dinheiro não fosse pago, a mulher seria morta ou agredida. O delegado afirmou que os parentes acompanharam as diligências da polícia durante a segunda-feira e ficaram "completamente apavorados" até a descoberta de que o sequestro não existia. A própria mulher teria apresentado diferentes contas para o recebimento dos R$ 14 mil. Para isso, segundo a investigação, ela enganou pessoas que não tinham relação com o crime. Em um dos casos, teria contratado um motorista de aplicativo, contado uma história falsa e obtido os dados de Pix dele. Em outro, teria ido a um estabelecimento comercial, conversado com a proprietária e conseguido os dados bancários, que depois apresentou aos familiares como se fossem contas dos supostos sequestradores.
Até o momento, a Polícia Civil acredita que a mulher tenha agido sozinha. As pessoas que tiveram os dados utilizados na tentativa de extorsão, segundo Ribeiro, não sabiam da fraude e também teriam sido enganadas por ela. A mulher foi presa em flagrante por extorsão e encaminhada ao presídio de Ribeirão das Neves. A investigação ainda pode apontar outros crimes, conforme a análise dos fatos, entre eles a falsa comunicação de crime e outras condutas relacionadas ao acionamento do aparato policial.