EUA prometem sanções "mais duras da história" contra o Irã

Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent - Foto: Kylie Cooper
Scott Bessent afirma que os EUA imporão "as sanções mais duras da história" ao Irã, descartando nova escalada militar de grande porte
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira que Washington vai impor "as sanções mais duras da história" ao Irã. Em declaração à CNBC, ele enfatizou que as medidas econômicas planejadas reduziriam a necessidade de novas operações militares de grande porte contra Teerã, sinalizando uma estratégia de pressão máxima sobre o regime iraniano.
A declaração de Scott Bessent ocorre um dia após o presidente Donald Trump ameaçar uma "Guerra Econômica" e advertir sobre consequências econômicas severas contra qualquer país que fornecer "qualquer tipo de ajuda vital ao Irã".
Os preços do petróleo subiram ao nível mais alto em mais de três semanas na mesma quinta-feira, reagindo às ameaças norte-americanas de penalidades financeiras destinadas a forçar o fim de um conflito que já dura quase seis meses e que deixou milhões de barris de petróleo do Oriente Médio retidos.
Bessent defende pressão econômica como alternativa militar
"Não sei por que o petróleo reagiu dessa forma a isso", disse Scott Bessent à CNBC. "Se estivermos exercendo a máxima pressão econômica, isso significa que provavelmente não haverá um reinício cinético em grande escala", afirmou ele, usando um termo que se refere ao uso da força militar.
O secretário acrescentou que divulgaria mais detalhes em uma coletiva de imprensa na segunda-feira. "É um golpe duplo. Temos o bloqueio (ao Irã) e vamos impor as sanções mais duras da história", disse Scott Bessent, referindo-se ao bloqueio naval dos EUA imposto ao Irã em abril e suspenso por um mês em meados de junho.
"Isso vai funcionar no Irã e vamos derrubar esse regime. É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão", completou.
O conflito já causou a morte de milhares de pessoas e envolveu nações do Golfo Pérsico, abalando os mercados globais quando o Irã demonstrou sua capacidade de restringir o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — uma via navegável que transportava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado antes de fevereiro.
Os EUA e o Irã chegaram a anunciar dois acordos de cessar-fogo, em abril e junho, com o objetivo de restaurar o livre fluxo de navegação pelo estreito, mas ambos fracassaram rapidamente.
Irã classifica sanções como "terrorismo econômico"
Antes da declaração de Scott Bessent, o Ministério das Relações Exteriores do Irã já havia condenado as sanções econômicas e comerciais dos EUA, classificando-as como "terrorismo econômico" que teria como alvo os iranianos comuns e equivaleria a crimes contra a humanidade.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, classificou os comentários de Trump como uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública norte-americana dos problemas financeiros internos, incluindo a dívida recorde e o aumento das taxas de juros.
"O terrorismo econômico dos Estados Unidos ameaça a economia global e a soberania nacional de países em todo o mundo", disse Araqchi no X. Ele afirmou ainda que a insistência de Washington em políticas que descreveu como fracassadas vai gerar mais fracassos e alienar os iranianos.
O Irã vem suportando sanções econômicas severas e contínuas há quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979.
Em uma mensagem nas redes sociais na quarta-feira, Trump prometeu "guerra econômica e isolamento em escala sem precedentes", embora os detalhes tenham sido escassos.
"QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de apoio vital ao Irã enfrentará, por sua vez, CONSEQUÊNCIAS econômicas TREMENDAS", escreveu Trump.
China no centro das tensões
Quando questionado sobre se os EUA poderiam tomar medidas contra a China por fazer negócios com o Irã, Scott Bessent disse que muitas conversas são melhor conduzidas em privado. "Tenha em mente que os chineses obtêm 50% de sua energia do Golfo. Portanto, seria um grande favor para eles aderirem à iniciativa", afirmou.
A China compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã, segundo dados de 2025 da empresa de análise Kpler, mas entrar em mais uma Guerra Econômica com Pequim — um importante exportador para os EUA, inclusive de minerais de terras raras essenciais — acarreta o risco de retaliação contra Washington.
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear do Irã, restringir sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes clericais.
As ameaças e os anúncios de Trump nas redes sociais nem sempre são implementados conforme redigidos, e ele não especificou quais medidas concretas os EUA tomariam nem citou nenhum país, embora a advertência pareça se estender aos aliados dos EUA que têm ajudado a mediar as negociações de paz.
O Irã vem negociando separadamente um acordo sobre a gestão do Estreito de Ormuz com Omã e afirmou várias vezes nas últimas semanas que um acordo estava próximo. Trump respondeu na segunda-feira a essas negociações com uma ameaça, alertando que poderia bombardear o país do Golfo caso ele "se intrometesse".
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, falando após se reunir com seu homólogo japonês, disse nesta quinta-feira que a segurança duradoura no estreito exigia uma paz permanente na região e rejeitou uma nova escalada.