Rui Pimenta, presidente do PCO, é alvo de operação da PF

Polícia Federal (PF)
Presidente do PCO é investigado por suspeita de uso irregular de recursos do Fundo Partidário e do FEFC em contratos milionários
A Operação Causa Própria, deflagrada na terça-feira (11/8), teve origem em elementos identificados durante a fiscalização das prestações de contas partidárias do Partido da Causa Operária (PCO). O presidente da legenda, Rui Pimenta, candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, é alvo central da ação policial conduzida pela Polícia Federal. As apurações destacam pagamentos realizados pelo PCO a duas empresas: a Digiartegraphics Gráfica Ltda. e a JCO Gráfica e Editora. De acordo com os autos, há indícios de incompatibilidade entre a estrutura operacional dessas empresas, os valores recebidos e os vínculos mantidos com integrantes do grupo investigado.
Entre os repasses citados na investigação estão: - Cerca de R$ 900 mil destinados à Digiartegraphics Gráfica Ltda., cujo porte operacional seria, em tese, incompatível com os montantes recebidos. - R$ 555.092 pagos à JCO Gráfica e Editora no ano de 2022, também com suspeitas sobre a capacidade real de execução dos serviços contratados. - Mais de R$ 365.954 repassados à Dauzaker Edições e Impressões entre 2017 e 2020, período em que as inconsistências nas contas partidárias já teriam sido identificadas.
A investigação identificou uma possível estrutura voltada ao uso irregular de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Segundo os autos, os valores teriam sido destinados à contratação de pessoas físicas e jurídicas ligadas direta ou indiretamente à estrutura partidária, incluindo familiares de dirigentes, militantes, ex-candidatos e empresas com capacidade operacional supostamente incompatível com as quantias recebidas. Análises realizadas pela Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (Asepa) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificaram sucessivas inconsistências nas prestações de contas partidárias e eleitorais do PCO.
Entre os problemas apontados estão contas julgadas não prestadas, contas desaprovadas e pareceres técnicos pela desaprovação em diferentes exercícios financeiros. De acordo com os autos, Rui Pimenta exerceria posição central na administração dos recursos públicos do partido e na definição das contratações submetidas à apuração. As circunstâncias levantadas pela autoridade policial colocariam em dúvida a efetiva prestação dos serviços e a real destinação dos recursos públicos.
Como medida cautelar, foi solicitado o afastamento de Rui Pimenta das funções de gestão partidária, com o objetivo de impedir que ele continue exercendo atividades de administração enquanto as investigações estiverem em andamento. Presidente do PCO desde 1995, Rui Pimenta, de 68 anos, concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2000 e disputou a Presidência da República em 2002, 2006, 2010 e 2014, sem ser eleito em nenhuma das ocasiões. Atualmente, é novamente candidato ao cargo nas eleições de 2026. A assessoria de Rui Pimenta foi procurada, mas não retornou até a mais recente atualização desta matéria.