Defesa diz que Renê não sabia da morte do gari Laudemir

Foto: Reprodução
Advogados de Renê afirmam que ele desconhecia o resultado do disparo que matou Laudemir durante briga no trânsito em BH
Os advogados de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte de Laudemir de Souza Fernandes, afirmam que ele desconhecia que o disparo efetuado durante uma briga no trânsito havia atingido e matado a vítima.
A declaração foi feita pelo novo escritório que representa o réu em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (11/8), data em que se completa um ano da morte de Laudemir, em Belo Horizonte.
Segundo o advogado Bruno Correa, a defesa possui elementos de prova que, na avaliação dos representantes de Renê, demonstram que ele não tinha ciência do resultado do disparo. A versão da defesa também deverá ser apresentada aos jurados no momento adequado.
"A pessoa do Renê é extremamente competente, está buscando a sua qualificação mesmo dentro do sistema penitenciário e está extremamente abalado com isso. Ele está disposto a se colocar à disposição das autoridades para ter o momento de fala dele, mostrar e responder à sociedade todas essas perguntas que estão sendo feitas. Ele é a primeira pessoa que quer explicar, mostrar e comprovar que não tinha conhecimento de que tinha produzido esse resultado", afirmou Bruno.
O advogado ressaltou, no entanto, que a versão de Renê será apresentada pelo próprio réu e que o novo escritório ainda está estudando o processo.
"A defesa passou a estudar esse processo no último sábado. O que a gente tem certeza absoluta, e isso não é uma opinião, é que os fatos narrados na denúncia não condizem com a realidade. A gente tem prova suficiente de que a dinâmica narrada pelo Ministério Público de Minas Gerais não encontra respaldo. Isso vai ser levantado para os jurados no momento correto, e a gente tem certeza absoluta de que eles acolherão essa visão que a defesa vai apresentar no processo", disse.
Testemunhas também sustentariam a tese de que Renê não sabia que havia atingido Laudemir.
"A gente tem elementos de prova suficientes para mostrar que ele não tinha conhecimento do resultado que tinha produzido. As testemunhas do processo relatam isso. A motorista do caminhão sustentou que ele entrou dentro do carro como se nada tivesse acontecido e foi embora. E é claro que ele entrou no carro como se nada tivesse acontecido e foi embora porque não tinha conhecimento de que tinha produzido esse resultado", declarou o advogado.
Bruno Correa ainda completou: "A sociedade pode ter certeza de que, se ele tivesse conhecimento de que tinha produzido esse resultado, ele seria o primeiro a ficar ali, prestar o socorro devido, acionar as autoridades e não iria embora trabalhar e viver a vida".
O crime ocorreu na manhã de 11 de agosto de 2025, por volta das 9h, durante uma confusão no trânsito.
Enquanto o caminhão de coleta de lixo estava parado, um carro BYD cinza, vindo na direção contrária, se aproximou. O condutor sacou uma arma e ameaçou a motorista do caminhão, dizendo que "iria atirar na cara" dela.
Em seguida, efetuou um disparo que atingiu Laudemir, que não resistiu aos ferimentos e morreu.
Renê responde pelo crime e, segundo a defesa, a dinâmica dos fatos narrada pelo Ministério Público de Minas Gerais não reflete o que realmente aconteceu.