Ucrânia denuncia destruição de 8 milhões de livros por ataques russos

Editora ucraniana Ranok afirma que ataque russo a armazém em Kharkiv destruiu oito milhões de livros, a maior perda editorial desde 2022
Um bombardeio russo destruiu oito milhões de livros em um armazém no nordeste da Ucrânia durante o fim de semana, conforme denunciou a editora Ranok nesta segunda-feira (3). A empresa classificou o ataque como uma agressão direta à cultura ucraniana, destacando que não é a primeira vez que a Rússia mira centros editoriais do país. A Ranok afirmou que o episódio representa "a maior perda para a infraestrutura editorial da Ucrânia desde o início da guerra em grande escala", em 2022. O governo de Kiev já havia acusado Moscou de tomar deliberadamente esses locais como alvos.
Um repórter da AFP esteve no local no sábado e registrou bombeiros combatendo o incêndio no depósito de Kharkiv, horas após a Rússia lançar um ataque combinado com drones e mísseis contra a região. O diretor da editora, Viktor Kruglov, classificou o ocorrido como "um ataque contra a educação e a cultura ucranianas". Este não é o primeiro ataque do tipo sofrido pela Ranok. No mês passado, um bombardeio contra um armazém próximo a Kiev destruiu 800.000 livros da editora, cujo catálogo inclui obras de autores como George Orwell e Barack Obama. Ao longo da invasão, a Rússia tem atacado com frequência museus, galerias, estúdios de cinema, igrejas e outros locais de importância cultural na Ucrânia, em um padrão que Kiev denuncia como parte de uma estratégia sistemática de destruição da identidade cultural ucraniana.