Pesquisa trimestral do BC aponta crédito mais restritivo

Foto: Banco Central/Reprodução
Pesquisa Trimestral do Banco Central mostra que IFs avaliam condições de oferta mais restritivas no 2º trimestre de 2025
A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) do Banco Central, divulgada nesta quinta-feira, 20, aponta que as condições de oferta de crédito se tornaram mais restritivas no segundo trimestre de 2025. A avaliação é das instituições financeiras (IFs) participantes da pesquisa, com exceção do segmento de crédito habitacional, que apresentou comportamento distinto dos demais. De acordo com o relatório da PTC de junho, as IFs projetam que esse cenário de restrição deve se manter para os segmentos de pessoas jurídicas no terceiro trimestre. Para os segmentos de pessoas físicas, a expectativa é de uma relativa estabilização.
No que diz respeito à demanda, as instituições financeiras avaliaram que ela se mostrou resiliente entre abril e junho deste ano, com fortalecimento em todos os segmentos. Para o terceiro trimestre, esperam a continuidade desse movimento, com exceção do segmento de grandes empresas. As IFs também analisaram que a inadimplência se comportou em linha com as expectativas no segundo trimestre e continua figurando entre os principais fatores restritivos da oferta de crédito. No segmento habitacional, porém, a inadimplência ficou abaixo do esperado. Para o terceiro trimestre, a projeção é de continuidade da deterioração, mas em menor intensidade do que a observada no período anterior.
Para as IFs, no segundo trimestre, as condições de oferta ficaram mais restritivas para grandes empresas. À frente, espera-se a manutenção dessa dinâmica, pressionada principalmente pela inadimplência e pelas condições gerais da economia doméstica.
As IFs observaram continuidade do grau de restrição nesse segmento, com leve desaceleração, em parte devido à disponibilidade de mecanismos de fomento ao crédito. Para o terceiro trimestre, ainda esperam uma oferta restritiva, principalmente em razão de fatores relacionados à inadimplência. No entanto, entendem que a concorrência entre instituições financeiras pode mitigar parte dos efeitos restritivos.
Entre abril e junho, as instituições avaliaram que houve aumento no grau de restrição da oferta para pessoas físicas. Para os próximos meses, entendem que o custo e a disponibilidade de funding e a menor tolerância ao risco devem elevar esse grau de restrição, ainda que condições favoráveis do mercado de trabalho possam contribuir para suavizar esse efeito.
No segmento habitacional para pessoas físicas, as condições de oferta permaneceram estáveis segundo as IFs. A maior preocupação com o nível de comprometimento de renda do consumidor foi mitigada pelo melhor custo e disponibilidade de funding e pelo ambiente institucional. Para o terceiro trimestre, as instituições esperam elevação do grau de restrição, devido à menor tolerância ao risco e à maior expectativa de inadimplência do mercado. Em síntese, a PTC do Banco Central revela um cenário de crédito mais restritivo no segundo trimestre de 2025, com a inadimplência como principal fator de pressão. A demanda, apesar disso, manteve resiliência em todos os segmentos, e as perspectivas para o terceiro trimestre indicam continuidade das restrições, especialmente para empresas de grande porte.