Superintendentes da PF divulgam nota em meio a conflito com Mendonça

ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Superintendentes regionais da Polícia Federal divulgam nota em defesa da direção-geral em meio a conflito com ministro do STF André Mendonça
Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram uma nota coletiva em defesa da direção-geral da corporação e da independência técnica das investigações. O documento surge em meio a um conflito com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, embora o nome dele não seja mencionado no texto. O manifesto é assinado pelos 27 superintendentes regionais e apresenta a Polícia Federal como uma instituição de Estado. No documento, o grupo afirma que a corporação atua com base na Constituição, na legalidade e na imparcialidade, orientada por fatos, provas e mecanismos de controle previstos em lei. A manifestação ocorre em meio a críticas, no STF, a métodos atribuídos a Mendonça em inquéritos acompanhados pela Polícia Federal.
Apuração da colunista do UOL Daniela Lima indica que o ministro passou a realizar reuniões presenciais com delegados ligados aos casos Master e INSS. Segundo a apuração, Mendonça teria dado determinações a investigadores e cobrado esforços direcionados a temas que considera prioritários — uma postura que teria escapado à agenda da corporação e às funções habituais de um relator.
Na nota, os superintendentes afirmam que as investigações não devem seguir interesses políticos, ideológicos ou pessoais. Eles também defendem a preservação da independência técnica e da autonomia administrativa como condições essenciais para que a Polícia Federal defina suas prioridades e gerencie seus recursos. O documento reconhece que críticas fazem parte da democracia, mas rejeita ataques à credibilidade institucional. Os superintendentes afirmam que o debate público é legítimo, desde que não tenha como objetivo enfraquecer a confiança da sociedade nas instituições republicanas. O texto conclui reafirmando a confiança na direção da Polícia Federal e o compromisso com a Constituição e o Estado Democrático de Direito, defendendo uma PF "forte, técnica, independente e fiel à sua missão institucional".
As tensões entre Mendonça e a Polícia Federal ganharam contornos mais concretos com um despacho no qual o ministro proibiu a direção-geral de remanejar integrantes da equipe do inquérito do INSS sem aval do seu gabinete. A determinação, segundo a apuração de Daniela Lima, vale de delegado a analista de dados e também incluiu a exigência de entrega de dados brutos apreendidos em operações. Além disso, Mendonça teria determinado que a Polícia Federal entregasse material sem criptografia, sem perícia, sem relatório e sem análise. De acordo com as apurações, o ministro teria montado uma espécie de estrutura paralela, com delegados trabalhando dentro do seu gabinete no STF.